Política

Zacharias Calil diz que vai participar da bancada da Saúde

Famoso por operar a separação de gêmeos siameses, o médico pretende viabilizar propostas feitas em campanha, como a construção do Hospital Pediátrico em Goiânia


Bárbara Zaiden

Do Mais Goiás | Em: 10/12/2018 às 17:24:40


 (Foto: Bárbara Zaiden)
(Foto: Bárbara Zaiden)

Eleito pela primeira vez para um cargo político, o médico Zacharias Calil (DEM) ainda está sentindo o terreno antes de aterrisar de vez no Congresso Nacional. Terceiro deputado federal mais bem votado nas eleições de 2018, com 151.508 votos, o cirurgião pediátrico famoso por separar gêmeos siameses passou a última semana em São Paulo, ao lado de outros 55 futuros parlamentares, para um curso de gestão legislativa promovido pelo Insper e RenovaBR, instituição que desenvolve trabalhos para formar novas lideranças.

“É um curso muito técnico e informativo, que nos dá conhecimento prévio de como funciona a Câmara Federal e o Senado. Entre os principais temas abordados estão ética, formação e condução dos gabinetes e a dinâmica das comissões”, conta Calil.

Em seu primeiro mandato, o médico diz que vai fazer parte da bancada da Saúde e espera que os deputados goianos fiquem unidos para trazer projetos positivos para o estado. Ele cita os projetos de sua campanha, como a criação do Hospital da Criança e do Adolescente , as policlínicas móveis e a descentralização da saúde, para reduzir a quantidade de atendimentos em Goiânia e facilitar o deslocamentos de pacientes do interior. Essa última também é uma defesa do governador eleito Ronaldo Caiado, correligionário de Calil.

Apesar de ter apoiado Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições, o médico disse que não tem opinião formada sobre projetos polêmicos defendidos pelo presidente eleito, como a liberação do porte de armas. Mas defende a redução da maioridade penal para crimes bárbaros. “Estou iniciando na política e não conheço esses projetos de perto”, diz Calil.

Mais Médicos

O cirugião pediátrico é crítico do Programa Mais Médicos. Ele questiona a formação dos profissionais cubanos e defende que os cargos devem ser ocupados por brasileiros.

 

“Eu vejo como uma coisa muito ruim para o País. Ele nem têm CRM, têm uma licença. A gente não sabe qual é a formação deles. Na minha opinião, pelo que já estudei, eles são técnicos em saúde. Não são médicos, são técnicos”, frisa o cirurgião pediátrico.

Zacharias Calil também cita a falta de estrutura para os profissionais trabalharem, principalmente em cidades interior. “O problema do Brasil não é a falta de médicos, é a falta de estrutura. O Brasil não tem uma política de saúde para manter o médico no local de trabalho”, enfatiza.

Benefícios

Questionado se vai manter os benefícios aos quais têm direito os parlamentares, Calil também não tem opinião formada, pois ainda não teve acesso ao regimento. Mas adianta que já solicitou vaga no apartamento funcional, já que ele mora em Goiânia. O auxílio viagens também será necessário, ele diz.

“Muitas vezes as pessoas falam: ‘ah, eu não quero auxílio disso, ou aquilo. Eu acho que ser for moral e legal não tem problema. Se você tem direito, tem que usar. É claro que não vai extrapolar a verba acima do limite”, disse.

Calil é aposentado pelo Governo do Distrito Federal, é médico concursado do Hospital Materno Infantil, em Goiânia, e ainda possui clínica particular na capital. Ele diz que está abrindo mão de muita coisa para assumir o cargo político. “O salário de um deputado não é tão vantajoso assim como as pessoas acham que ele é. São R$ 25 mil. Talvez eu ganhe mais do que isso”, disse.

Questionado se o salário do deputado não é discrepante em relação ao salário mínimo, ele concorda. Mas diz que fez a comparação em relação ao trabalho dele, como profissional liberal e cirurgião. “Como eu já disse várias vezes, eu não preciso da política para viver, o que já consegui na minha vida até hoje está de bom tamanho”, finaliza.