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“Vô Mané partiu sem ver julgamento do assassinato de meu pai”, diz Valério Filho

O radialista Valério Luiz foi morto a tiros em 5 de julho de 2012, quando saía da rádio onde trabalhava,

Valério Filho (esquerda) é consolado no velório do avô (Foto: Jucimar de Sousa)

Valério Luiz de Oliveira Filho, neto de Mané de Oliveira, diz ser frustrante que o avô não possa assistir ao fim do julgamento da morte do radialista Valério Luiz, morto a tiros 5 de julho de 2012, quando saía da rádio onde trabalhava, na Rua C-38, Setor Serrinha, em Goiânia. “Frustração máxima”, diz o filho da vítima, que também é advogado.

ex-deputado estadual e jornalista esportivo Mané de Oliveira morreu na madrugada deste sábado (13) em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Manoel José de Oliveira, tinha 80 anos e lutava contra um câncer no intestino. Ele deixa 11 filhos e 26 netos.

Em relação ao julgamento dos acusados da morte do radialista Valério Luiz, este segue sem data prevista para acontecer. O Júri – que estava previsto para 23 junho – foi adiado em razão da pandemia do novo coronavírus.

Para o advogado, a pandemia foi um caso atípico, mas antes disso tiveram uma série de manobras para atrasar o julgamento. “Réu simulando doença mental, o que atrasou em um ano até provar que estava mentindo, e mais.”

Valério espera que, com a vacinação, nos próximos meses uma nova data seja marcada. “Mas não deixo de manifestar minha revolta dessa situação ter chegado até aqui. De saber que meu avô, que lutou tanto, não estará vivo para ver o julgamento. É revoltante”, desabafa.

Crime

O radialista Valério Luiz foi assassinado a tiros, por um homem em uma moto, após deixar a Rádio Jornal, em Campinas, na capital, em 2012. A Polícia Civil ligou o crime ao então cartorário e vice-presidente do Atlético Clube Goianiense, Maurício Borges Sampaio. A motivação seria críticas feitas à diretoria do time de futebol.

São acusados, além de Sampaio, o cabo da Polícia Militar Ademá Figueredo Filho, suposto autor dos disparos; Marcus Vinícius Pereira Xavier, Urbano de Carvalho Malta e o sargento Djalma Gomes, envolvidos no planejamento que culminou no assassinato.

Idas e vindas

No ano passado, o juiz da 3ª Vara de Crimes Dolosos contra a Vida, Jesseir Coelho, realizou um despacho em que afirmava não ter condições de marcar a data do júri que vai julgar os cinco acusados do crime contra o radialista. O magistrado afirmou que não havia estrutura na Comarca de Goiânia, como precariedade de dormitórios para jurados e falta de cadeiras confortáveis e espaço limitado. Assim, adiou os julgamentos.

Em outubro do ano passado, o mesmo juiz marcou nova data, destacando que o local ainda não tinha estrutura adequada para um júri da magnitude e repercussão do caso. Seriam três julgamentos distintos, marcados para 19 de fevereiro de 2020.

Já em dezembro o juiz Jesseir Coelho de Alcântara pediu afastamento da presidência do julgamento dos acusados do assassinato. Ele alegou motivo de foro íntimo. “Fiz tudo o que pude, mas esbarrei em óbices fora do meu alcance para que a sessão do júri fosse realizada a contento”, alegou.