Saúde

Vitamina D é fundamental para regular cálcio e saúde dos ossos

Apesar de vivermos em um país tropical, com sol em vários dias do ano, a maioria da população brasileira está com níveis de vitamina D abaixo do recomendado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 21/10/2019 às 09:49:54

Apesar de vivermos em um país tropical, com sol em vários dias do ano, a maioria da população brasileira está com níveis de vitamina D abaixo do recomendado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Apesar de vivermos em um país tropical, com sol em vários dias do ano, a maioria da população brasileira está com níveis de vitamina D abaixo do recomendado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

A vitamina D é na verdade um hormônio essencial para várias funções do organismo relacionadas ao metabolismo dos ossos e à absorção do cálcio. Na época de sua descoberta, em 1922, acreditava-se que só poderia ser obtida por intermédio da alimentação. Por isso, foi batizada de vitamina. Desde a década de 1970, porém, já se sabe que se trata de um hormônio que pode ser reposto no organismo por meio de comprimidos –ou gotas– ou pela exposição solar controlada.

Apesar de vivermos em um país tropical, com sol em vários dias do ano, a maioria da população brasileira está com níveis de vitamina D abaixo do recomendado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que é de 20 ng/ml (nanogramas por mililitro). Já o grupo de risco, formado por idosos e gestantes, por exemplo, deve estar com valores de vitamina D entre 30 e 60 ng/ml.

Segundo o endocrinologista Sergio Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, a deficiência da vitamina D pode provocar várias doenças, como raquitismo, em crianças, e osteomalácia (amolecimento de ossos) e osteoporose, em adultos. Isso sem contar o prejuízo a outras funções do corpo, como a diminuição da imunidade.

Segundo o endocrinologista Renato Zilli, do hospital Sírio-Libanês, a maioria da população brasileira está com deficiência de vitamina D porque não se expõe mais ao sol o tempo necessário para repor as doses que o organismo precisa ou usam protetor solar, o que é recomendado pelos dermatologista. Além disso, os alimentos que possuem a substância são poucos e em quantidade muito pequena.

Os especialistas alertam que assim como a falta da vitamina D pode trazer prejuízos ao organismo, o excesso dela também pode provocar doenças.

Superdose deve ter orientação médica

Se a falta da vitamina D pode provocar problemas para a saúde, o excesso também traz vários riscos para o organismo. Por isso, especialistas alertam para o consumo de superdosagens da substância sem a devida orientação médica.

Nas farmácias, é possível encontrar nas prateleiras suplementação de vitamina D em comprimidos com doses a partir de 1.000 UI (Unidades Internacionais). Porém, é possível encontrar até 10 mil a 15 mil UI.

Segundo o endocrinologista Sergio Maeda, o excesso da vitamina D eleva os níveis de cálcio no sangue, podendo prejudicar o funcionamento dos rins. Em alguns casos, diz ele, a chamada hipervitaminose D provoca pedras nos rins e disfunção renal.

“A hipervitaminose D também leva à perda óssea, pois pode induzir ao aumento da atividade osteoclástica, que é a célula que destrói o osso e fica hiperativa com o excesso de vitamina D”, afirmou.

Segundo Maeda, a quantidade de vitamina D necessária para cada pessoa varia de acordo com a idade e a condição de saúde, o que deve ser avaliado pelo médico após a realização de exames de sangue. Porém, apenas pacientes considerados do grupo de risco, entre eles os idosos, precisam de doses maiores numa primeira etapa do tratamento para estabilizar o nível da vitamina no organismo.

O problema, segundo os especialistas, é que algumas as pessoas tomam superdoses da vitamina D sem ao menos saber o nível da substância no organismo. Para isso, é necessário fazer exames de sangue.

Saiba mais

O que é vitamina D

  • Embora seja chamada de vitamina, trata-se de um hormônio que atua como regulador do cálcio no organismo e do metabolismo dos ossos

Para que serve

  • Tem ações em várias partes do organismo relacionadas ao cálcio
  • Intestino: absorve o cálcio
  • Paratireoide: mantém os níveis de cálcio

Como obter

Alimentos

  • peixes gordurosos: salmão, atum, cavala
  • óleo de fígado de bacalhau
  • gema de ovo
  • cogumelos

Exposição solar

  • A síntese ocorre por meio dos raios UVB, o mesmo que provoca o câncer de pele
  • Por isso, é necessário atenção no tempo de exposição de acordo com o tipo de pele
  • É recomendado expor pernas e braços três vezes por semana:
  • Peles brancas: De cinco a sete minutos*
  • Peles morenas: De 15 a 20 minutos*
  • Rosto: proteger sempre com protetor solar

*Se antes de período a pele ficar vermelha, é sinal que está na hora de sair do sol ou passar protetor

Importante: Vidros impedem a passagem dos raios UVB. Por isso, não vale tomar sol em ambientes fechados protegidos por vidros

Suplementação

  • Comprimidos ou gotas
  • A dose é definida pelo médico após exames de sangue para saber o nível de vitamina no organismo
  • A Sociedade Brasileira de Edocrinologia e Metabologia define como deficiência de vitamina D valor inferior a 20 ng/ml (nanogramas por mililitro)

Diagnóstico

  • Para saber o nível de vitamina D é preciso fazer exames de sangues:
  • vitamina D
  • cálcio sanguíneo
  • cálcio urinário
  • PTH (função da paratireoide)
  • creatinina (função dos rins)

Deficiência

Pode provocar várias doenças:

  • Em crianças, raquitismo (enfraquecimento dos ossos) e retardo do crescimento
  • Em adultos, osteomalácia (amolecimento dos ossos), hiperparatireoidismo (aumento dos níveis de cálcio no sangue) e osteoporose (diminuição da densidade dos ossos)

Também prejudica outras funções do corpo:

  • aumenta o risco de infecções
  • diminui a imunidade
  • fraqueza muscular

Excesso

Provoca o aumento do cálcio no sangue, tendo como consequência:

  • pedras nos rins
  • perda da função dos rins

Fontes: Endocrinologistas Sergio Maeda e Renato Zilli e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia 

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