Francisco Costa
Do Mais Goiás

Vice-líder de Caiado na Assembleia fica do lado de Ibaneis em briga

Zé Carapô também disse que o valor de R$ 60 milhões para compra de vacinas na proposta do governo poderia ter sido maior

Vice-líder de Caiado na Assembleia fica do lado de Ibaneis em briga
Vice-líder de Caiado na Assembleia fica do lado de Ibaneis em briga (Foto: Divulgação)

O governador Ronaldo Caiado (DEM) pode estar diante de novas dissidências em sua base, na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Nesta quinta-feira (25), o vice-líder do governo, deputado Zé Carapô (DC), utilizou o pequeno expediente para endossar o discurso do gestor do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MBD).

“Não pude deixar de observar a diferença no tom do discurso de ambos. Um [Ibaneis], trouxe palavras contidas, números e dados técnicos, cobrando que Goiás faça o seu dever de casa. O outro [Caiado], toda vez que é confrontado com a realidade, reage com palavras agressivas e muitas vezes ofensivas”, disse Carapô.

Vale lembrar, na terça (23), Ibaneis ameaçou fechar a divisa com o estado de Goiás caso não fossem criados leitos de UTI para o tratamento de Covid na região do entorno. Ele afirmou que a situação está crítica e que o gestor de Goiás precisa cuidar da população.

“O Governo de Goiás está negligenciando seus pacientes. Sem leitos e hospitais, transfere a obrigação de cuidar de sua população a nós, do DF. Não me furto a essa missão, mas está chegando a um ponto em que a gente precisa chamar a atenção do governador”, disse Ibaneis.

Em resposta à fala de Ibaneis, Caiado publicou uma nota no final da tarde de terça-feira (23) classificando a declaração como “estapafúrdia” e que ela causou “nojo e repúdio”. “Diante de um momento tão delicado vivido por todos nós, onde a maioria dos governadores se dão as mãos para ajudar os que mais necessitam, causa repúdio e nojo ler uma declaração estapafúrdia do governador do DF, Ibaneis Rocha, de que vai fechar as fronteiras do DF com Goiás”.

Caiado afirmou, ainda, que não fez contas das pessoas que atendeu e nem seu local de origem. Ressaltou também que criou leitos em 12 macrorregiões, entre elas Luziânia e Formosa, e que sabe que a declaração de Ibaneis não condiz com o pensamento de quem mora em Brasília. “Essa declaração é de uma pequenez que rima com o seu próprio nome”.

Tribuna

Ainda na tribuna, Carapô reforçou que era obrigado a concordar com Ibaneis. Segundo ele, “em vez de rompantes”, Caiado poderia respondê-lo com “trabalho”. “Temos que arregaçar as mangas e entregar para a população o que ela espera. Tenho certeza que o povo goiano concorda com isso.”

Ele também citou o Hospital de Águas Lindas, que ainda não foi concluído. “Até hoje só temos o discurso e nenhuma ação efetiva.”

Mas este não foi o único momento na sessão de quinta em que Carapô criticou o governo. Ao discursar durante o início das votações, o vice-líder afirmou que era difícil entender porquê o governo Estado investia apenas R$ 60 milhões em compras de vacina contra a covid-19. Ele lembrou que, há pouco tempo, o governo anunciou mais de um bilhão em obras de asfalto por todo o estado.

“Falta de recurso não é o motivo, então, para se comprar tão poucas vacinas? É fato que o asfalto do estado está em péssimas condições e precisa ser recapeado, mas, no momento que vivemos, com tantas pessoas morrendo, com UTIs lotadas e pessoas contaminadas, vacina tem que ser a prioridade número um. As prioridades do Governo precisam ser reavaliadas”, discursou.

A matéria – pela abertura de crédito extraordinário de R$ 60 milhões em favor do Fundo Estadual de Saúde (FES) para compra de vacinas contra a covid-19 – foi aprovada em segunda e definitiva votação, na quinta. Ela teve 32 votos favoráveis.

Base

No começo deste mês, o presidente da Assembleia, Lissauer Vieira (PSB), afirmou que a base de Caiado tinha cerca de 22 ou 23 deputados. Apesar disso, ele que, para chegar a ampla maioria, com 25 ou 26 nomes, o diálogo não seria tão difícil.

“Mesmo não tendo 25 para aprovar uma PEC (proposta de emenda à Constituição), nas oportunidades que precisamos, abrimos o diálogo e consegue-se a votação”, declarou e reforçou: “Estamos há dois anos votando várias matérias importantes – sendo todas aprovadas – e algumas com votos de deputados de oposição. Não por aderirem à base, mas por consciência”, discursou à época.

Ainda sobre Carapô, o portal tenta um posicionamento do deputado sobre os recentes posicionamentos.