Operação Lava Jato

Vice da Camargo Corrêa se entrega à PF em São Paulo

Eduardo Leite é apontado como elo do esquema de propinas nas obras da Abreu e Lima; Dalton Avancini e João Auler, que integram a cúpula da empreiteira, vão se apresentar neste sábado, 15.





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O vice-presidente da Construtora Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite entregou-se à Polícia Federal em São Paulo no final da tarde desta sexta feira, 14. Neste sábado, 15, também irão se entregar à PF os outros principais executivos da construtora, Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler.

A cúpula da grande empreiteira vai ser transferida para a sede da Superintendência Regional da PF em Curitiba, onde está concentrada a Operação Lava Jato.

A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de Leite e a temporária de Avancini e Auler, porque os três são apontados como elo do esquema de propinas da Camargo Corrêa nas obras da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, empreendimento superfaturado segundo o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal.

A Camargo Corrêa detém 90% do Consórcio CNCC, contratado para a Abreu e Lima.

Ao mandar prender o comando da empreiteira, a Justiça Federal transcreve trechos dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef. Eles atribuíram a Leite, Auler e Avancini o papel de “principais responsáveis pelo esquema criminoso na Camargo Corrêa”.

Eduardo Leite, diretor vice-presidente da Camargo Corrêa, era responsável pela área de óleo e gás da empresa. A PF grampeou e-mail do doleiro Alberto Youssef para o empresário Márcio Bonilho, do Grupo Sanko Sider, em que eles se referem ao vice da empreiteira pelo apelido ‘Leitoso’.

Dalton dos Santos Avancini é, por sua vez, diretor presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações S/A, enquanto José Ricardo Auler, Presidente do Conselho de Administração da empresa.

“A previsão de comissões à própria Construtora é mais um indício do pagamento de vantagens indevidas aos próprios dirigentes da Camargo Correa em detrimento da própria empresa e dos acionistas, fato este também afirmado por Alberto Youssef e por Márcio Bonilho em seus interrogatórios judiciais”, assinala a Justiça Federal no despacho em que manda prender a cúpula da empreiteira.

Segundo a Operação Lava Jato, “as comissões teriam sido pagas mediante a emissão de notas fraudulentas de prestação de serviços pela GFD Investimentos (controlada por Youssef), envolvendo serviços de assessoria e consultoria e serviços portuários e ferroportuários, em realidade inexistentes de fato”.

O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende Eduardo Leite, protestou com veemência contra a ordem de prisão preventiva. “(A prisão) é absolutamente desarrazoada porque não há nenhum fato que justifique a necessidade do encarceramento preventivo de Eduardo Leite”, declarou Mariz de Oliveira.

O advogado já entregou uma petição à Justiça Federal na qual colocou Leite à disposição das autoridades da Lava Jato. Mariz de Oliveira destacou que o executivo da Camargo Correa “tem um problema cardíaco sério, isso foi demonstrado por atestado médico”.

“Além disso, (Leite) tem endereço certo e já foi apresentado ao juiz, recentemente, de forma que eu não vejo nenhuma razão para a decretação da preventiva”, advertiu Mariz de Oliveira. O advogado vai ingressar com habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) “para que essa violência praticada contra ele (Leite) seja cessada”.

O criminalista Celso Vilardi, que defende Dalton Avancini e João Auler, também reagiu com indignação à ordem de prisão. “Avalio a prisão como uma medida desnecessária. A Camargo Correa estava colaborando, seus executivos estavam colaborando, nós formalizamos perante o juiz federal de Curitiba nossa pré disposição em colaborar. Daí porque é absolutamente desnecessária a prisão temporária dos senhores Dalton Avancini e João Auler. De qualquer forma, vamos apresenta-los à Polícia Federal.”