Córrego Caverinha

Vereador diz que Seinfra havia liberado tráfego em ponte, mas pasta nega

Segundo secretário, estrutura que liga Vila Maria Dilce ao Recreio Panorama só seria liberada, de forma controlada, após sinalização da SMT e reforço de encabeçamentos

Cidades

Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 23/01/2020 às 17:18:23

Ponte sobre o Córrego Caveirinha cedeu (Foto: Defesa Civil/ Divulgação)
Ponte sobre o Córrego Caveirinha cedeu (Foto: Defesa Civil/ Divulgação)

No dia 13 de janeiro, o vereador Welington Peixoto (MDB), informou em vídeo (via Instagram) que a ponte sobre o Córrego Caveirinha, que liga a Vila Maria Dilce ao Setor Recreio Panorama, em Goiânia, estava liberada para veículos leves. Porém, na última terça-feira (21), a estrutura cedeu e foi levada pela água, em decorrência das fortes chuvas. O parlamentar conversou, nesta quinta-feira (23), com o Mais Goiás, e afirmou que a responsabilidade é da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). “Em termos, né? Porque a chuva foi muito forte.”

A pasta rebateu e reafirmou que a via não estava liberada. Segundo o secretário Dolzanan Matos, poderia haver o tráfego de meia pista na via, mas somente após a sinalização da Secretaria Municipal de Trânsito Transporte e Mobilidade (SMT) e desde que esse fosse controlado, o que não ocorreu.

Em meados de dezembro, a ponte foi interditada, após fortes chuvas. Naquela época, a Seinfra começou a trabalhar na estabilização da mesma.

O início

Da primeira vez, no vídeo publicado no Instagram, Wellington, escreveu: “Após reunião com o secretário da Seinfra e da SMT, ponte que liga a Vila Maria Dilce ao Setor Panorama deverá ser reformada e inaugurada em 40 dias. Veículos leves foram liberados para transitar no local.” Os moradores da região celebraram o anúncio na rede social do político.

Nesta quinta-feira (23), o vereador disse que, após a gravação do vídeo, ele voltou a falar com técnicos da pasta – mas não com o secretário de Infraestrutura, Dolzonan Matos –, que teriam reafirmado a liberação para ele. Já a SMT teria se posicionado contra a utilização da ponte –a Seinfra teria demandado pela sinalização do local, mas como a obra não estava pronta, a SMT seria contrária. “Não pela estrutura, que não é a parte deles, mas por conta do trânsito. O próprio secretário Luiz Fernando Santana me disse que haveria riscos, pela via ter ficado muito estreita”, explicou Wellington.

“Eu fui atrás de todas as informações e os técnicos da Seinfra disseram que a ponte aguentava os veículos. Então, sobre a segurança cabe a Seinfra e seus técnicos.” Inclusive, foi questionado a Wellington se, apesar das chuvas, para a ponte ser liberada ela não deveria estar apta a qualquer intempérie. Ele consentiu, mas reafirmou que, agora, é preciso construir algo forte.

Em uma nota sintética, a pasta declarou: “A SMT informa que não liberou o trânsito na ponte do Córrego Caveirinha.”

Condenada

A vereadora Sabrina Garcêz disse que teve acesso aos laudos e que a ponte já estava condenada, desde dezembro. Para ela, a prefeitura de Goiânia pecou na falta de sinalização, em um plano de rotas alternativas e de não ter dado ampla publicidade sobre a condenação.

Apesar de não saber ao certo quem liberou a passagem, ela afirma que o trânsito foi, sim, permitido. “Foi liberado o trânsito parcial. Não sei quem colocou, mas tinha até um guard rail [trilho] no local”, relatou.

O portal entrou em contato com a Defesa Civil, a fim de saber sobre laudos da estrutura, e a mesma informou que não emite laudos, mas relatórios – só a Seinfra pode condenar. Apesar disso, o coordenador executivo da pasta, Francisco Vieira Defesa Civil, esclareceu ao portal que os próprios moradores teriam removido as manilhas para viabilizar o trânsito.

“Fizemos um relatório de novembro para dezembro, em que apontamos os problemas, que a ponte estava balançando, com rachaduras na base e afundamento na cabeceira”, disse Francisco. Ele, então, lembrou que, desde então, a estrutura passava por um trabalho de recuperação, até que foi levada pelas águas, no dia 21. “Não sabemos ao certo quem liberou o trânsito. A informação que temos é que os engenheiros da Seinfra não liberaram.”

De acordo com ele, agora está somente o buraco e os pedestres têm arriscado a vida, pois continuam a passar por ali. Sobre a fala do vereador, de que a Seinfra teria liberado, ele disse ser uma informação “contraditória”. “Depois da interdição de dezembro, não fizemos nenhuma manifestação. Deixamos a cargo da Seinfra, e o que eles nos passaram é que não houve liberação”, reforçou Francisco Vieira.

Com a palavra, a Seinfra

Dolzanan Matos, titular da Seinfra, negou a liberação da ponte. Segundo ele, a estrutura estava, de fato, condenada, conforme apontado por um levantamento da equipe dos dias 13/14 de dezembro (data da interdição), que recomendava uma nova licitação para a substituição por uma nova ponte. “Então fizemos uma estabilização.”

Ele explica que, de fato, poderia haver o tráfego de meia via, mas somente após a sinalização da SMT e desde que esse fosse controlado. Para isso, segundo o secretário deveria ocorrer, também, o limite de tonelagem e o reforço de encabeçamento nas duas extremidades, o que não tinha acontecido no dia 13 de janeiro. “Ainda tinha que acabar de reforçar o encabeçamento da ponte, o que só tinha sido feito de um lado.”

Questionado se o vereador foi precipitado, Dolzanan preferiu não comentar. Ele voltou ao assunto da estrutura. “A ponte estava realmente condenada e ia ter um paliativo, com sinalização e passagem controlada, mas isso não chegou a ser feito. Veio a chuva e levou a ponte. A previsão era de 14 mm, mas choveu 91 mm”, explicou.

Inclusive, Dolzanan garantiu que, com essas medidas de recomposição, a ponte aguentaria. “Com restrições.”

Licitação

Acerca da licitação, ele prevê 60 dias para o início, apesar desta ser emergencial. “Já estamos trabalhando nela, mas esse seria um tempo recorde. Passa pela procuradoria geral do município, é preciso respeitar o prazo recursal, fazer contrato…”, justifica.