Crise na Venezuela

Venezuela expulsa embaixador da Alemanha e prende jornalista dos EUA

Em comunicado, o governo Maduro diz que sua decisão se deve a "recorrentes atos de ingerência nos assuntos internos do país" pelo diplomata


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 06/03/2019 às 21:45:35

(Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
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O regime de Nicolás Maduro declarou o embaixador da Alemanha na Venezuela, Martin Kriener, “persona non grata” nesta quarta-feira (6) e deu 48 horas para que ele deixe o país.

Kriener recebeu Juan Guaidó no aeroporto na segunda-feira (4), quando o líder opositor voltou à Venezuela após um tour em busca de apoio pela América do Sul.

Em comunicado, o governo Maduro diz que sua decisão se deve a “recorrentes atos de ingerência nos assuntos internos do país” pelo diplomata, que “em desacato, compareceu ao aeroporto internacional de Maiquetía para testemunhar a chegada do deputado Juan Guaidó”.

“A Venezuela considera inaceitável que um diplomata estrangeiro assuma, em seu território, uma atuação pública próxima à de um líder político alinhado com a agenda conspiratória de setores extremistas da oposição venezuelana.”

O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha confirmou a expulsão. “Estamos coordenando os passos seguintes com nossos parceiros no local”, disse o órgão.

“Esta decisão é incompreensível, o que piora a situação em vez de aliviar as tensões”, afirmou o ministro do Exterior alemão, Heiko Maas. “O suporte europeu a Juan Guaidó é inabalável”, completou.

Mais de 50 países, incluindo a Alemanha, o Brasil e os EUA, reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela e apoiam seu plano para instalar um governo de transição que realize eleições livres.

Guaidó denunciou Maduro como usurpador por considerar que as eleições do ano passado não foram realizadas de forma justa. Maduro diz ser vítima de uma tentativa de golpe.

O jornalista norte-americano Cody Weddle, colaborador de veículos como Miami Herald e The Telegraph, e seu ajudante venezuelano, Carlos Camacho, foram presos nesta quarta (6) em Caracas por membros do serviço de inteligência da Venezuela, de acordo com a União Nacional dos Jornalistas (SNTP).

Weddle, 28, mora há quatro anos em Caracas. Os equipamentos dos profissionais também foram confiscados.

A secretária-adjunta para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, Kimberly Breier, disse que o Departamento de Estado “está ciente e profundamente preocupado” com a situação.

Nesta quarta, a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, afirmou que a crise política, econômica e social na Venezuela tem sido “exacerbada pelas sanções” internacionais.

“A situação na Venezuela ilustra claramente a maneira como as violações dos direitos civis e políticos –incluindo a não defesa das liberdades fundamentais e a independência das instituições chave– podem acentuar um declínio dos direitos econômicos e sociais”, disse.

“Isto mostra também como a rápida deterioração destas condições econômicas e sociais provoca um número ainda maior de protestos, uma repressão ainda maior e novas violações dos direitos civis e políticos”, completou.

Para Bachelet, “esta situação foi exacerbada pelas sanções, e a atual crise política, econômica, social e institucional resultante é alarmante”.

Ainda nesta quarta, o vice-presidente Mike Pence anunciou que os EUA vão revogar os vistos de 77 pessoas associadas ao governo Maduro.