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Venda de ações da Saneago é um dos assuntos mais discutidos na Alego

Deputados de oposição apontam risco de privatização, enquanto base garante que estatal mantém o comando

Humberto Teófilo, Major Araújo e Eduardo Prado serão tratados como oposição, diz líder do governo
Humberto Teófilo, Major Araújo e Eduardo Prado serão tratados como oposição, diz líder do governo

Um dos assuntos do momento na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) é a autorização para venda de 49% das ações da Saneago. Deputados da oposição têm criticado a matéria, que está na Comissão Mista e que ainda deve permanecer lá para consulta pública por cerca de 30 dias. Os parlamentares ainda têm afirmado que a abertura de capital é um passo para a privatização da estatal, que tem dado lucro ao Estado.

Lêda Borges (PSDB) declarou que, caso esta seja a aprovada, existe o risco do Estado perder o controle da empresa. “Chega no limite”, observou. A parlamentar, vale lembrar, apresentou na terça-feira (15) um requerimento que pede ao governador Ronaldo Caiado (DEM) para sobrestar a matéria. O pedido foi aprovado na Casa de Leis.

Caso o gestor estadual aceite, a pauta será retirada do parlamento goiano. Dos 38 deputados presentes, somente Amilton Filho (SD) votou contra.

Base na Alego

Em contrapartida, o vice-líder do governo, Zé Carapô (DC), disse que a crítica da oposição é infundada. Segundo ele, o governo anterior já preparava a empresa para fazer a venda. “E é exatamente o que o governo vai fazer, mantendo o controle de 51% e vendendo 49% para empresas interessadas.” Para ele, quando chegar ao plenário, a matéria passará com tranquilidade.

De fato, na gestão de Marconi Perillo (PSDB), em 2017, foi emitido um comunicado que afirmava que a Saneago iria se preparar para a oferta pública de ações. À época, a venda giraria em torno de 25%, com possibilidade de ampliação até 49%. Mas o plano não foi pra frente.

Presidente da Saneago

Da mesma forma, o presidente da Saneago, Ricardo Soanvinski, que esteve ontem na Comissão Mista da Assembleia, garantiu não se tratar de privatização. “O comando fica com o Estado”, reforçou.

Acerca da destinação do dinheiro da venda de ações, ele afirmou que não é possível saber se o recurso será investido totalmente na estatal, pois depende da necessidade. “Não adianta botar recursos numa empresa mais do que ela precisa. Vai depender dos estudos que serão feitos. Esses recursos poderão ser aplicados numa outra área.”

Sobre os bons resultados financeiros, ele disse que a Saneago se tornou mais eficiente. Em outro questionamento, Soanvinski declarou que a estatal criou um cronograma de apoio a comunidades isoladas que ainda não têm saneamento.

IPO

O intuito do projeto é abrir o capital da empresa, por meio da Oferta Pública Inicial (IPO, conforme sigla em inglês). Com isso, as ações da empresa podem ser vendidas ao público em geral na bolsa de valores pela primeira vez.