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UFG descobre fungo que pode reduzir uso de agrotóxicos na agricultura

Governo federal vem flexibilizando o registro dos defensivos agrícolas mesmo diante dos alertas da OMS

UFG descobre fungo que pode reduzir uso de agrotóxicos na agricultura
O Brasil é hoje um dos principais mercados de agrotóxicos 'altamente perigosos', segundo um levantamento feito pela Unearthed, organização jornalística independente financiada pelo Greenpeace, em parceria com a ONG suíça Public Eye. Além desse dado, o governo federal vem flexibilizando, desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o registro dos defensivos agrícola, somente em 2019 foram 150 novas autorizações, maior número de pesticidas registrado na história.

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) descobriram um fungo capaz de conter o avanço de pragas em plantações de arroz, tomate, soja e cana-de-açúcar – algumas das espécies mais cultivadas no País. O fungo tem potencial de causar uma pequena revolução na agricultura local, uma vez que o Brasil é hoje um dos principais mercados compradores de agrotóxicos ‘altamente perigosos’ do mundo, segundo um levantamento financiado pelo Greenpeace.

O estudo é conduzido pelo Laboratório de Genética de Microrganismos (LGM) do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFG. O nome do fungo é Waitea Circinata. Ele é retirado das raízes de uma orquídea do Cerrado.

“O fungo foi obtido a partir de três raízes de orquídea do cerrado. Primeiro avaliamos no laboratório e no arroz cinco doenças que foram controladas. Selecionamos duas doenças do arroz (brusone e queima da bainha) mais importantes, para avaliação nas plantas, cujo controle pelo fungo descoberto foi de 95% e 60%, respectivamente”, explica a professora Leila Garcês de Araújo, coordenadora da pesquisa.

“Para o controle destas doenças no Tocantins e no sul do Brasil utiliza-se até 18pulverizações de agrotóxicos que afetam a saúde humana causando câncer e o meio ambiente.Nas experiências com as plantas do arroz o controle destas doenças foi de 95% e 60%, respectivamente. No tomate houve controle de 83% da doença nematoide nas galhas, na cana e na soja, as pesquisas são promissoras e estão em andamento” reitera.

Novo produto

A pesquisadora explicou que para o desenvolvimento de um novo produto a partir deste fungo gasta-se em média 10 anos. “Fizemos a pesquisa, mas para chegar até o produtor rural e à nossa mesa foi feito um acordo de pesquisa entre a UFG e a empresa nacional de controle biológico em junho de 2020. Serão investidos R$ 486 mil para custeio, equipamentos, casa de vegetação e bolsas de estudos. Acreditamos que, em 5 anos, o produtor poderá usar para controle das doenças citadas.