UFG alerta para a paralisação total das atividades no segundo semestre

Em nota, universidade afirma que novas medidas redução e racionamento serão implementadas

A Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgou nota nesta quarta-feira (10) comunicando que, caso o bloqueio do orçamento feito pelo Ministério da Educação (MEC) seja mantido, todas as atividades da instituição serão paralisadas. O bloqueio foi anunciado pelo responsável pela pasta, Abraham Weintraub, em abril deste ano, e afeta todas as Instituições Federais de Ensino (IFE).

A nota, publicada no site da universidade, afirma que a retenção de 30% do orçamento fez que com que a instituição chegasse ao final do primeiro semestre “com severas dificuldades para a manutenção das atividades meio”, como contratações e aquisições. O esforço tem sido para manter as atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Ainda de acordo com o documento, cerca de R$ 27 milhões destinados ao custeio não estão disponíveis. Essa medida representa um déficit de 69% do orçamento previsto para o pagamento de despesas como água, segurança e limpeza.

É afetado, também, o pagamento de bolsas de estudo para os estudantes de graduação e pós-graduação. Novas medidas de redução e racionamento já são analisadas e implementadas pelos gestores da universidade.

Movimentação

Esse não foi o primeiro alerta sobre os impactos do bloqueio orçamentário. Em maio, os reitores da UFG e dos Institutos Federais de Goiás se reuniram com deputados federais goianos.

À época, o reitor Edward Madureira disse que as IFE fechariam as portas no segundo semestre. Foram promovidas, ainda, audiências públicas na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa sobre o tema.

Além disso, uma assembleia universitária no Campus Samambaia da UFG reuniu 5 mil pessoas. Madureira expôs o orçamento e a realidade financeira da instituição nos últimos anos. Ao final, cerca de 4 mil pessoas realizaram um abraço simbólico na universidade.

O corte

Os cortes nas universidades federais do país foram feitos após as declarações de Weintraub, em uma reportagem publicada pelo jornal Estado de S. Paulo. Foram bloqueados R$ 32 milhões, dos quais R$ 5 milhões eram destinados a investimentos, construção de novos prédios e compra de equipamentos.