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Trump perdoa Steve Bannon e aliados pouco antes de deixar presidência

Bannon é um ex-estrategista da campanha eleitoral de Donald Trump em 2016, que foi preso por fraude em agosto de 2020

Trump com Bannon durante evento na Casa Branca, em janeiro de 2017 (Foto: Mandel Ngan / AFP)

Na madrugada desta quarta (20), a horas de deixar a Presidência dos EUA, Donald Trump concedeu perdão a diversos aliados, entre os quais seu ex-assessor e ideólogo da extrema direita Steve Bannon.

Além de Bannon, Trump também concedeu perdão presidencial a Elliott Broidy, um doador da campanha que confessou ter conspirado para violar leis estrangeiras de lobby político, ao ex-prefeito de Detroit Kwame Kilpatrick, que cumpria pena de 28 anos de prisão por corrupção, e aos rappers Lil Wayne e Kodak Black, condenados por crimes relacionados a posse ilegal de armas.

No total, 143 pessoas foram beneficiadas pela leva final de indultos.

O republicano não incluiu seu advogado, Rudy Giuliani, nem concedeu perdão a seus familiares ou a si mesmo, diferentemente do que vinha sendo especulado nas últimas semanas. De acordo com uma pessoa a par da decisão, auxiliares da Casa Branca defenderam que indultar parentes ou ele próprio passaria a imagem de que são culpados por terem cometidos crimes.

O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon (Foto: Andrew Kelly / Reuters)

O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon (Foto: Andrew Kelly / Reuters)

Bannon, 67, é acusado de participar de uma fraude numa campanha virtual de doações relacionada à construção de um muro na fronteira entre EUA e México, uma promessa de Trump. ​Ele chegou a ser preso em agosto, mas foi liberado em seguida, após pagar fiança de US$ 5 milhões (R$ 26,8 milhões).

Como ainda não foi condenado, na prática o indulto o livra das acusações, uma vez que o mecanismo do Poder Executivo blinda uma pessoa da Justiça. Ele, no entanto, ainda pode ser acusado de fraude por promotores do estado de Nova York —o perdão presidencial atua apenas em nível federal.

Segundo o jornal The New York Times, assessores passaram o dia tentando demover Trump da ideia de conceder perdão a Bannon, fundador do site Breitbart, um dos principais veículos da chamada “alt-right” (direita alternativa, que reúne personalidades de extrema direita e grupos supremacistas brancos).

Ele coordenou a campanha vitoriosa de 2016 e virou estrategista-chefe da Casa Branca nos primeiros meses do governo do republicano. Próximo da família Bolsonaro, criou “O Movimento”, grupo que une líderes populistas de direita pelo mundo, e nomeou Eduardo Bolsonaro como seu representante no Brasil.

Bannon (em pe, todo de preto), acompanha reunião na Casa Branca em janeiro de 2017 (Foto: Jonathan Ersnt / Reuters)

Bannon (em pe, todo de preto), acompanha reunião na Casa Branca em janeiro de 2017 (Foto: Jonathan Ersnt / Reuters)

Antes dessa leva final, o presidente americano já havia concedido indultos a outros aliados, como ao ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn, que se declarou duas vezes culpado ao FBI, a polícia federal americana, por mentir para investigadores no caso da interferência russa nas eleições de 2016.

Em julho, o republicano perdoou Roger Stone, seu amigo e conselheiro de longa data, condenado a três anos e quatro meses de prisão, também por mentir a investigadores. A decisão veio uma semana antes de o lobista começar a cumprir sua pena.

O perdão a Bannon é uma das últimas ações de Trump na Presidência e representa o fim das animosidades entre ambos. Eles estavam afastados desde que o ex-estrategista foi demitido da Casa Branca devido a desentendimentos. O motor para a retomada da relação foi o apoio de Bannon às alegações falsas do republicano de que houve fraude no pleito presidencial em que Trump foi derrotado.

Nesta quarta (20), Joe Biden tomará posse após vencer as eleições de novembro —o republicano não comparecerá à cerimônia, rompendo uma tradição centenária de transferência pacífica de poder nos EUA.