Hugo Oliveira
Do Mais Goiás

Transporte coletivo da Grande Goiânia pode parar na virada do ano, diz SET

De acordo com entidade que representa empresas do setor, concessionárias acumularam dívida de R$ 75 mi durante a pandemia e não dispõem mais de crédito no mercado

Enem: CMTC mantém reforço com ônibus extras no último dia de prova
Enem: CMTC mantém reforço com ônibus extras no último dia de proval (Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

O transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia pode paralisar na virada do ano. O assunto foi alvo de um manifesto em que empresas concessionárias afirmam passar por grave crise financeira, com dívida alegada de R$ 75 milhões, decorrente de prejuízos operacionais acumulados durante a pandemia de covid-19.

De acordo com o Sindicato das Empresas do Transporte (SET), a Prefeitura de Goiânia foi comunicada da possibilidade. Adesão da capital ao Plano Emergencial criado pelo Estado na pandemia é considerada, por concessionárias, a única solução paliativa para manutenção do transporte da região metropolitana no momento.

O colapso, segundo Adriano Oliveira, presidente da entidade, deve ocorrer por falta de recursos para custeio da operação. “Há risco de o sistema virar o ano parado”, reforça. De acordo com Oliveira, o desequilíbrio entre receitas e custos foi comprovado pelo Governo de Goiás, por meio da Controladoria Geral do Estado (CGE), avaliação que teria sido acompanhada pelo Ministério Público Estadual.

Conforme expõe o presidente da entidade empresarial, as contas eram mantidas com operações de crédito aprovadas por instituições bancárias. Agora, endividadas, as concessionárias – alega ele –  não dispõem de crédito ou empréstimos, o que agrava a crise. “Em pouco tempo este cenário de não pagamento de fornecedores alcançará o óleo diesel, sendo que o desabastecimento desse combustível é determinante para a paralisação da oferta dos serviços”.

Desilusão

A expectativa do setor era de que o presidente da República Jair Bolsonaro sancionasse o projeto de lei federal nº 3364/2020, aprovado pela Câmara e Senado. Isso implicaria no repasse de R$ 4 bilhões, da união para estados e municípios com mais de 200 mil habitantes, voltados exclusivamente para promover o reequilíbrio dos contratos de concessão do transporte coletivo urbano e semiurbano afetados pela crise da covid-19. No entanto, o projeto recebeu veto integral de Bolsonaro na quarta-feira (10).

Paliativo

De acordo com o sindicato, o que tem amparado a continuidade dos serviços, nesta seara, é um aporte estadual homologado na criação do Plano Emergencial. No entanto, a entidade alega que as prefeituras, como a de Goiânia, recorrem aos tribunais para evitar a obrigação de colaborar financeiramente com a questão. A ajuda estadual, reforça Adriano, cobre apena 17% das despesas.

Para Oliveira, a adesão do município de Goiânia ao Plano Emergencial significaria uma solução para o colapso. “A simples adesão da Prefeitura ao Plano Emergencial pode impulsionar um aumento do limite de crédito das concessionárias junto aos bancos”, explica Adriano Oliveira.

A Prefeitura, através da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), se manifestou por meio de nota. Veja a íntegra:

“A CMTC recebeu documento com indicativos do SET sobre as dificuldades de manutenção do serviço de transporte e tem trabalhado junto à prefeitura de Gyn uma solução. A saída para essa grave crise no sistema RMTC seria a sanção da PL-3364 e como o governo federal vetou na integralidade, estamos (CMTC) conversando com a administração municipal uma nova saída a essa grave crise no TPC”.