Paralisação

Transportadoras sinalizam aumentar repasse de frete, diz ministra

Governo, empresas e trabalhadores se reúnem nesta tarde, em Brasília, para tentar acordo em meio à greve de sete dias




Enquanto protestos de caminhoneiros bloqueiam rodovias em todo o país, governo e representantes da categoria debatem a crise na tarde desta quarta-feira (25/5) em Brasília. Ao deixar a reunião no meio da tarde, a ministra da Agricultura, pecuária e abastecimento Kátia Abreu reafirmou que o governo não vai mexer no preço do diesel, como já havia dito a presidente Dilma Rousseff, mas que a reunião “está bem flexível” e a perspectiva de acordo é concreta.

Segundo Abreu, que participou de parte da reunião por conta dos impactos da greve de sete dias no escoamento da produção agrícola, as transportadoras sinalizaram positivamente em aumentar o repasse do frete para os caminhoneiros – junto à redução dos preços do combustíveis, essa era importante reivindicação do movimento.

As paralisações provocam desabastecimento no país, sobretudo, de combustíveis, gás de cozinha, alimentos perecíveis e medicamentos, o que deve pressionar ainda mais a inflação. Em Brasília, produtos como presuntos e peito de peru estão em falta nos supermercados desde a última sexta-feira.

A tributação sobre os combustíveis foi elevada no final de janeiro. Segundo o Fisco, o impacto será de R$ 0,15 para o diesel. A expectativa do governo é arrecadar R$ 12,18 bilhões com esta medida em 2015.

O representante do Comando Nacional do Transporte na reunião que ocorre hoje (25) com integrantes do governo, Ivan Luiz Schimidt, defendeu a redução imediata do preço do óleo diesel em R$ 0,50 até que seja definido um valor de frete mínimo para os caminhoneiros. O valor defendido pelo grupo, que se diz responsável pelas manifestações nas estradas federais, é R$ 0,70 por eixo de caminhão a cada quilômetro rodado.

“Não adianta o governo pedir para a gente esperar 120 dias, porque isso significa a gente trabalhando 120 dias de graça”, disse o representante dos caminhoneiros. “Não recebemos aumento no valor do frete há dez anos. Isso significa que já demos nossa colaboração, no sentido de contribuir para a queda da inflação”.

Schimidt informou que o movimento dos caminhoneiros começou nas redes sociais e ganhou corpo de forma espontânea. “Criamos uma página do Comando Nacional do Transporte no Facebook e depois uma rede pelo WhatsApp para defender nosso lado, já que os empresários não têm interesse em aumentar nosso frete”, informou o caminhoneiro, que mora em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Apesar dos lideres do governo afirmarem que as negociações estão flexíveis entre caminhoneiros e representantes, Ivan Luiz Schmitt afirma que foi retirado da reunião.

O senador Blairo Maggi (PR-MT), que também participa da reunião, disse que o preço do frete praticado hoje já é maior do que o reivindicado pelo movimento dos caminhoneiros, sendo que os preços são diferenciados por região. “Já é suficiente para os caminhoneiros voltarem a ganhar dinheiro”, disse Segundo ele, historicamente o óleo diesel compõe 40% do custo total do frete, no pior momento chegou a 60%, mas já se realinhou e está novamente em 40%.

Maggi também ressaltou que os preços dos fretes sofreram um aumento de mais de 50% quando entrou em vigor a lei que determinou um período de descanso para os caminhoneiros. Para o senador, o estabelecimento de um preço mínimo do frete não é viável, porque o mercado se modifica muito durante o ano, principalmente no caso de grãos como a soja e o milho que são cotados a preços internacionais.

“Se a Bolsa de Chicago cair e os preços dos fretes ficarem altos, o Brasil não vende para o exterior, e aí os compradores internacionais vão se abastecer nos Estados Unidos”, justificou.