Investigação

Traficante do Comando Vermelho, solto por erro em Goiás, organizou plano de resgate em presídio no Paraguai

Sentenciado por tráfico, Leomar Oliveira Barbosa, o ‘playboy do tráfico’, tinha ligações com Fernandinho Beira-Mar, e foi colocado em liberdade de presídio goiano: investigação internacional


Jairo Menezes
Do Mais Goiás | Em: 09/10/2018 às 18:28:52

Leomar recebeu um alvará de soltura e foi liberado de presídio em Goiás (Foto: Reprodução)
Leomar recebeu um alvará de soltura e foi liberado de presídio em Goiás (Foto: Reprodução)

O traficante Leomar Oliveira Barbosa, de 55 anos, conhecido como ‘playboy do tráfico’, seria responsável por um plano audacioso em solo paraguaio. Uma investigação da Polícia Federal do Brasil com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai apontou ele como sendo o cabeça do esquema para tentar resgatar Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o ‘Marcelo Piloto’ no Paraguai. Os dois são membros do Comando Vermelho.

O plano de fuga, que seria posto em prática no último final de semana, foi descoberto depois de uma investigação internacional. A ação levou à prisão de cinco traficantes brasileiros que planejavam resgatar Marcelo Piloto de uma penitenciária de Assunção, capital do Paraguai.

Marcelo está preso desde dezembro do ano passado. Ele é considerado pelas autoridades um dos principais fornecedores de drogas, munições e armas do Comando Vermelho – facção que domina boa parte do tráfico no Rio de Janeiro.

Na operação, quatro homens e uma mulher foram detidos em três casas de Assunção. As prisões foram baseadas em informações de inteligência compartilhadas entre a PF e as autoridades paraguaias sobre a data da execução do plano. De acordo com investigadores que atuaram no caso, a ideia era buscar Piloto no próximo final de semana.

PILOTO
Até ser preso em dezembro em Ecarnación, no Paraguai, Piloto era um dos criminosos mais procurados do Brasil. Em busca de informações sobre ele, as autoridades ofereciam uma recompensa de R$ 10 mil por qualquer pista sobre seu paradeiro. Após sua prisão, em fevereiro deste ano, a polícia civil do Rio de Janeiro prendeu dois homens acusados de integrarem um grupo que planejava o resgate de Piloto.

Após denúncia feita pelo Disque-Denúncia, os policiais prenderam os dois em um ônibus no município de Seropédica, região metropolitana do Rio, com destino a Foz do Iguaçu.

Tanto a prisão de Piloto como a ação para evitar o plano de fuga são resultado da cooperação entre as autoridades brasileiras e paraguaias. As ações contam com o apoio do Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), que funciona na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O Centro trabalha para fortalecer a integração entre os países no âmbito das investigações voltadas à repressão da criminalidade organizada transnacional e abriga, atualmente, policiais da Argentina, Bolívia, Peru e Paraguai.

LEOMAR
Leomar de Oliveira Barbosa é considerado o antigo braço-direito de um dos maiores traficantes do Brasil, Fernandinho Beira-Mar. Ele é conhecido como ‘Playboy’ e foi preso pela primeira vez em 1991.

Até julho deste ano, ele esteve preso no Presídio Estadual de Formosa, quando foi indevidamente solto. Nove dias depois do engano, ele teve a prisão novamente decretada.

O pedido de soltura foi expedido pela Justiça Federal em Goiás. Contudo, a Direção Geral de Administração Penitenciária de Goiás (DGAP) informou, à época, que havia outras duas condenações contra ele. Por isso, os funcionários do cartório da unidade não poderiam ter cumprido o alvará de soltura.

Na ocasião, a informação do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) era de que o preso precisaria cumprir 12 anos 9 meses e 20 dias para obter progressão do regime fechado para o semiaberto. Até então, Playboy tinha uma pena de 36 anos e 6 meses, segundo o TJ-GO.

Antes da soltura, ele havia cumprido quase 12 anos, e restavam pouco mais de 24 anos para ser colocado em liberdade. Leomar teria direito a ir para o Regime Semiaberto apenas no dia 21 de julho de 2021, segundo o Tribunal. A soltura irregular ocorreu em 04 de julho de 2018, três anos antes do previsto. (Com informações do Estadão)