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Tradicional terreiro de GO comemora 30 anos de fundação

Solenidade também comemorará 40 anos do babalorixá Pai Raimundo de Oxum. Evento acontecerá neste sábado (26) no Novo Gama


Murillo Soares

Do Mais Goiás | Em: 25/01/2019 às 18:45:47


(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Um dos terreiros de candomblé mais tradicionais do Estado de Goiás, o Ilê Oxum Axé Opô Afonjá Oni Xangô, realiza, no próximo sábado (26), uma grande solenidade em comemoração aos 40 anos de santo do babalorixá da casa, Raimundo Ribeiro dos Santos, conhecido como Pai Raimundo de Oxum, e 30 anos de fundação da Casa. Localizado no Novo Gama, o Ilê é descendente do Axé Opô Afonjá de Coelho da Rocha/RJ e mantém, ao longo dessas três décadas, as tradições do candomblé ketu no Planalto Central.

Pai Raimundo foi iniciado na religião de culto aos orixás em 1979, por Mãe Railda Rocha Pitta, considerada uma das iyalorixás mais famosas do Distrito Federal, filha de santo de Mãe Agripina. O líder religioso, que completou 74 anos de idade no último dia 10, nasceu na Bahia, morou no Rio de Janeiro e mudou-se para Brasília nos anos 1960.

“Na feitura de santo de Raimundo, Pai Agenor Miranda, importante babalaô, comunicou a ele que deveria desempenhar, posteriormente, a função de sacerdote. Ele continuou sua jornada religiosa tendo Pai Agenor (filho de Mãe Aninha) e Pai Nilson (Nilson Feitosa, filho de Mãe Agripina)como seus orientadores. O nome (de seu terreiro) Ilê Oxum Axé Opô Afonjá Oni Xangô significa Casa de Oxum sustentada pela força de Afonjá, o único Xangô. No ano 2000, ele iniciou seus primeiros iaôs. Nos dias atuais, o terreiro já conta com mais de 40 filhos de santo”, explica o historiador e candomblecista Thales de Araújo, em monografia apresentada em 2015 para a Universidade Estadual de Goiás.

As casas de candomblé formam uma importante herança dos negros escravizados trazidos da África e influenciaram de sobremaneira a cultura brasileira. O culto chegou a ser proibido no Brasil, em determinados momentos históricos, e atualmente é garantido em lei, apesar de ainda sofrer perseguições nos dias atuais. Entre 2015 e 2018, o Disque 100, que recebe denúncias de violações de direitos humanos, registrou mais de 1,7 mil casos de intolerância religiosa no país.

Para o Pai Raimundo, o candomblé deve ser considerado patrimônio cultural, já que os terreiros são reconhecidos espaços de manutenção da ancestralidade. “É aqui que a cultura dos negros africanos está preservada e sendo transmitida para as gerações futuras. Guardamos em nossos espaços a história desse povo. É preciso que seja respeitado o lugar do sagrado nas casas de matriz africana. A própria Constituição Federal diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença e assegura o livre exercício e a proteção aos locais de culto religiosos. Temos leis que nos protegem, mas continuamos sendo atacados, queimados, destruídos ou assaltados”, diz o babalorixá.