"PESADELO"

“Tive medo de não acordar no outro dia”, diz jornalista de Goiânia curada da covid-19

Andréia Bouson e o marido, João Eudes, viajaram para a Europa e acabaram contraindo a covid-19. Hoje curada, ela faz um alerta: "tomem os cuidados necessários"


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 09/04/2020 às 12:04:59

Hoje curada, a jornalista Andréia Bouson conta que teve “medo de não acordar no outro dia” ao contrair a covid-19 durante viagem para a Europa. (Foto: reprodução)
Hoje curada, a jornalista Andréia Bouson conta que teve “medo de não acordar no outro dia” ao contrair a covid-19 durante viagem para a Europa. (Foto: reprodução)

A viagem dos sonhos da jornalista Andréia Bouson, 29, e do marido João Eudes Cláudio Filho, 39, foi tomada pelo “medo de não acordar no outro dia”. O casal viajou para a Europa no último dia 7 de março, mas acabou contraindo a covid-19 e o passeio precisou ser encurtado. Hoje curada, ela faz um alerta: “não é uma ‘gripezinha’, quem puder ficar em casa, fique e tome os cuidados necessários”.

O casal viajou para o continente para visitar os primos que moram na Espanha. Andréia revela que a viagem foi planejada e feita antes mesmo de a covid-19 se tornar uma pandemia. Segundo ela, estava tudo dentro da normalidade nos países em que passaram, mas tudo se transformou “da noite para o dia”.

A jornalista e o marido visitaram a Espanha, Portugal, Inglaterra e França antes de terem a viagem interrompida. Já em Paris, o casal viu tudo mudar. “Foi coisa de filme. Do nada tudo mudou. Os estabelecimentos começaram a fechar e as ruas começaram a esvaziar. As pessoas entraram em pânico. Um caos”, relata.

Foi aí que, segundo ela, o sonho virou pesadelo. Diante da “situação assustadora”, o casal decidiu retornar ao Brasil no dia 17 de março. A viagem ainda duraria mais 7 dias e tinha como destino Bélgica e Holanda, mas o roteiro precisou ser alterado.

Os primeiros sintomas, conforme relata Andréia, foram sentidos ainda em Paris. “Achei que era uma gripe porque estava muito frio. A sensação térmica era negativa”. De volta a uma das residências que possuem em Brasília, os sintomas se intensificaram. A jornalista conta que sentiu dor de cabeça e no peito; teve febre, tosse, fadiga, coriza e diarreia. João Eudes teve dores semelhantes, mas com alguns agravantes como dor de garganta e nas costas, assim como dificuldade para respirar e perda do olfato.

Isolamento domiciliar

Andréia ressalta que, ao chegar no Brasil, o casal não teve contato com ninguém da família e já ficou em isolamento domiciliar. No dia 19 de março, os sintomas ficaram ainda mais fortes e eles foram para o hospital. De imediato foram submetidos ao teste da covid-19 e o resultado foi positivo. “Ficamos desesperados. Ninguém quer ficar doente, ninguém espera que isso aconteça”.

O casal, então, partiu para a residência que possuem em Goiânia, onde ficaram isolados. “Foi um período muito difícil. Eu chorava todos os dias. Eram as dores, as notícias de caos em todo o mundo. Tive medo de não acordar no outro dia”, relembra.

A jornalista ressalta que não é possível dizer em qual país contraiu a doença. “Até hoje tentamos entender isso. Nossos primos na Espanha não foram diagnosticados, o que nos leva a crer que não foi lá, mas é praticamente impossível saber onde ocorreu a contaminação”. De acordo com ela, todos os cuidados foram tomados. O casal levou máscaras e álcool em gel. “A gente se cuidava o tempo todo. Não imaginávamos que isso aconteceria conosco”.

Na última segunda-feira (6), uma notícia trouxe alívio a Andréia e João: ambos testaram negativo ao segundo teste realizado. “Nós gritamos e comemoramos muito. É uma sensação de alívio, mas o abalo psicológico e o medo pela família ainda é grande”. A situação, de acordo com a jornalista, serviu de aprendizado. “O inimigo é invisível e todo cuidado é pouco. Quem puder ficar em casa, fique! Tome os cuidados necessários. Não é uma gripezinha”, disse.