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Tiago Henrique sofre nova condenação; penas chegam a 345 anos

Nesta quinta-feira (15) ele foi julgado pelo assassinato de um morador de rua, ocorrido em dezembro de 2012




O vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha recebeu mais uma condenação por homicídio, desta vez por um crime cometido contra um morador de rua. Com os 25 anos imputados pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, do 1º Tribunal do Júri de Goiânia, a somatória das penas do serial killer já chega a 345 anos e 10 meses.

A sessão desta quinta-feira (15/9) marcou o 14º julgamento de Tiago por homicídio — ele também já foi condenado por roubo e porte ilegal de arma. Ao decidir, os jurados que integraram o Conselho de Sentença acataram a sustentação feita pelo promotor Maurício Gonçalves de Camargo e reconheceram a presença de duas qualificadoras no homicídio: as de motivo torpe e de surpresa.

O crime ocorreu em 12 de dezembro de 2012, por volta das 2h, na Avenida Minas Gerais, no Setor Campinas. O morador de rua estava deitado na calçada de uma clínica médica quando um motociclista se aproximou e efetuou um disparo em sua cabeça. Confronto microbalístico do projétil que matou Michel Luiz com os de outras vítimas confirmou que foram expelidos da mesma arma de fogo.

A pena será cumprida em regime inicialmente fechado, na Penitenciária Odenir Guimarães, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia

Julgamento

No júri, a defesa do vigilante, sustentada pelos defensores públicos Ludmila Fernandes Mendonça e Jaime Rosa Borges, pleiteou a absolvição alegando que o réu não seria o autor do crime. Alternativamente, sustentaram a aplicação da causa de diminuição de pena pela semi-imputabilidade, bem como a exclusão das qualificadoras. Todas elas foram rejeitadas.

Ao prestar depoimento, Tiago Henrique também negou a autoria do crime e recitou trechos da Bíblia. “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo”, afirmou citando Isaías 58.

Ao dosar a pena, Eduardo Pio Mascarenhas levou em considerou a culpabilidade, já que o réu escolheu a vítima aleatoriamente, atingindo-a com um tiro certeiro na cabeça, à curta distância. Observou também a personalidade do vigilante que, segundo o laudo de exame de insanidade mental, possui frieza emocional, tendência à manipulação e personalidade antissocial. Afirmou também que possui conduta social desajustada com o meio em que vive, com déficit relacional caracterizado por uma dificuldade no estabelecimento de vínculos, provocando mal-estar e desconforto nas relações.

Eduardo Pio Mascarenhas afirmou  que o crime foi praticado para o réu tentar aliviar o sentimento de angústia e a vontade de matar que sentia, motivo repugnante. Também lembrou que o crime ocorreu durante a madrugada, em via pública, quando a vítima estava deitada, possivelmente domringo, o que impossibilitou a sua defesa. Explicou que o crime causou grande sensação de vulnerabilidade e insegurança na sociedade goiana já que conviveu, por vários meses, com a figura de um motoqueiro que cometia homicídios pela cidade.

Durante os interrogatórios, a delegada da Polícia Civil Flávia Santos Andrade, que investigou o caso assim que Tiago Henrique foi preso, em outubro de 2014, relatou todos os passos do inquérito policial. Segundo ela explicou, o vigilante confessou o crime no dia da prisão, mas negou nos depoimentos seguintes. Afirmou também que foi realizado confronto microbalístico do projétil que matou Michel Luiz e de outras vítimas de homicídio, que confirmaram terem sido expelidas da mesma arma de fogo.

A policial relatou também que foram mostradas a Tiago Henrique imagens de vídeo captadas no sistema de segurança da clínica em que Michel Luiz foi morto e de um estabelecimento nas proximidades de onde ocorreu o assassinato de outro morador de rua. Ela afirmou que o vigilante  confirmou ser ele a pessoa que aparece nos vídeos.

Durante o depoimento, a mãe de Michel Luiz, Edna Ferreira da Silva, contou que ele era dependente químico e havia saído da clínica de reabilitação pela manhã, mas não voltou para casa.

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