Crise na educação

Técnicos-administrativos da UFG e institutos federais podem deflagrar greve em setembro

Sindicato da categoria declarou estado de greve em assembleia na manhã desta quarta



(Foto: Divulgação/UFG)
(Foto: Divulgação/UFG)

Os trabalhadores técnico-administrativos em educação (TAEs) das instituições federais de Ensino Superior e do Hospital das Clínicas de Goiás declararam estado de greve para toda a categoria em assembleia na manhã desta quarta-feira (17). Com a decisão, os profissionais ficam em alerta para a possível deflagração de uma paralisação sem previsão de encerramento.

Segundo nota divulgada pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Estado de Goiás (Sint-Ifes/GO), os motivos para o estado de greve são os “ataques que estão sendo feitosaos trabalhadores no Congresso Nacional”. Como exemplos, a entidade cita o PLP 257/2016 e a PEC 241/16, criadas com o objetivo de renegociar as dívidas dos estados com a União, que preveem a limitação dos gastos com as políticas e os servidores públicos e a desvinculação dos recursos do Produto Interno Bruto (PIB) a serem aplicados na educação e na saúde, conforme determina a Constituição hoje.

“A categoria está se mobilizando não por buscar reajustes de salários, mas sim para se contrapor às políticas que estão sendo implementadas pelo governo federal”, afirma o coordenador do Sint-Ifes/GO João Pires Júnior.

Além dos projetos apresentados, o Ministério da Educação anunciou ainda um corte de 45% das verbas de investimento e de 18% do custeio para as universidades brasileiras. Diante do fato, o reitor da UFG, Orlando Amaral, divulgou hoje uma nota no site da universidade afirmando que, se os cortes forem confirmados, a universidade será incapaz de realizar suas atividades de forma plena.

“Podemos afirmar que a concretização dessas reduções inviabilizará o desenvolvimento, em sua plenitude, de inúmeros programas e ações em andamento na UFG e em outras UFs, incluindo aqueles vinculados diretamente às atividades de ensino, pesquisa e extensão, o que poderá significar uma ameaça à qualidade acadêmica de seus cursos de graduação, de pós-graduação e à execução dos projetos de pesquisa e extensão. A situação se agrava ainda mais pelas reduções de bolsas do CNPq e do custeio da pós-graduação pela Capes”, diz a nota.

A coordenadora geral do Sint-Ifes/GO, Fátima dos Reis, afirmou que o momento é crítico e que exige, mais do que nunca, da unidade na ação de todos os TAEs de Goiás. “Todos nós conhecemos as nossas diferenças, mas agora é hora de termos unidade na ação, fortalecendo as atividades de mobilização para que possamos construir um movimento forte o suficiente para barrar esses retrocessos”, concluiu.

De acordo com João Pires, as perspectivas, em virtude das medidas anunciadas pela União, são de uma longa fase de arrocho salarial e fim de concursos públicos. “Esse corte de recursos vai atingir de forma muito séria a possibilidade de continuidade dos serviços prestados pelas universidades e institutos federais”, ressalta.

Segundo o coordenador, uma nova assembleia a ser realizada no dia 9 de setembro vai definir se haverá a deflagração da greve ou não. Na ocasião, a Federação dos Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) fará uma plenária nacional em que discutirá a situação das entidades e de seus profissionais.

“Se tiveros que fazer uma greve, faremos nacionalmente, envolvendo quase 200 mil trabalhadores”, afirma. Antes da plenária, porém, o Sint-Ifes/GO deve realizar uma assembleia no dia 6 de setembro para discutir o quadro para as instituições federais de educação em Goiás. “Até lá vamos desenvolver uma série de atividades, inclusive em Brasília, para pressionar os deputados contra a aprovação desses cortes de recursos”, garante João.

 

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