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TBT Mais Goiás: The Best Damn Thing e a rebeldia cor-de-rosa de Avril Lavigne

Terceiro disco da canadense foi marcado por vestidos, coraçõezinhos e rosa, muito rosa. Relembre músicas como "Girlfriend", "Hot" e "Innocence"

TBT Mais Goiás: The Best Damn Thing e a rebeldia cor de rosa de Avril Lavigne
Terceiro disco de Avril Lavigne foi marcado por vestidos, coraçõezinhos e rosa, muito rosa. Relembre músicas como "Girlfriend", "Hot" e "Innocence"

Depois de ser a inspiração de adolescentes no mundo todo com o álbum Let Go (2002) e firmar um legado de jovem rockeira incompreendida em Under My Skin (2004), Avril Lavigne poderia muito bem ter continuado na zona de conforto e lançar um terceiro disco na mesma linha. Mas, com The Best Damn Thing (2007) ela preferiu arriscar.

A canadense trocou skate, gravatas, roupas pretas e o temperamento agressivo por vestidos, coraçõezinhos e rosa, muito rosa. Tudo isso, claro, teve consequências – negativas e positivas.

Girlfriend, o primeiro single, foi um baque para os fãs e para a indústria musical. No clipe, Avril Lavigne apareceu dançando pela primeira vez, usando minissaia e a (agora) clássica mecha rosa no cabelo. Com este figurino, cantava sobre desejar o namorado de outra garota.

Rejeitada pelos fãs mais “rebeldes”, Girlfriend foi a música mais bem sucedida na carreira da artista. Com a canção, Avril conseguiu o primeiro (e único) topo na Billboard Hot 100, parada de singles mais importante da indústria fonográfica.

A música foi a mais vendida em todo o mundo em 2007 e o clipe foi o primeiro vídeo postado no YouTube a atingir a marca de 100 milhões de visualizações.

Isso ajudou The Best Damn Thing a estrar na primeira posição da Billboard Hot 200 – tabela que conta as vendas dos discos. Atualmente, o álbum já vendeu mais de onze milhões de cópias em todo o mundo.

Se é que isso é possível, The Best Damn Thing pode ser definido como uma mistura de Green Day, Blink-182 e Hillary Duff, com guitarras punk e letras adolescentes cantadas por uma voz obviamente pop.

Até hoje muitos torcem o nariz para essa fase: dizem que gostam da “antiga” Avril Lavigne e que a cantora “se vendeu ao mercado”. Até o fato dela estar mais feminina na era The Best Damn Thing é julgado e motivo de críticas.

Para muitos, Avril Lavigne deveria continuar usando calças largas e munhequeiras quadriculadas até hoje. Contudo, na época do lançamento do disco ela já era uma mulher casada e afirmou que isso refletiu tanto na música quanto no estilo de se vestir.

Foi nessa época que, pela primeira vez, vimos Lavigne apostar em algo mais “sensual”, com a faixa Hot.

Convenhamos: The Best Damn Thing não é um álbum muito coeso. E talvez essa seja uma das melhores sacadas do disco.

O abismo que existe entre terminar de ouvir a melódica e triste When You’re Gone, seguida da barulhenta Everything Back But You ou passar da queridinha dos fãs Innocence para a agitada e raivosa I Don’t Have To Try, soa como uma mistura pop-punk enérgica, e reforça o principal foco do álbum: se divertir.

Girlfriend, I Can Do Better e Runaway, a primeira trinca do disco, são faixas contagiantes, imaturas e bem-humoradas. Já na faixa título da obra, Avril Lavigne quer exigir que o companheiro a trate como uma princesa, encarnando uma líder de torcida no clipe.

Na balada simplista e teatral Keep Holding On, tema do filme Eragon, e nas já citadas When You’re Gone e Innocence, a cantora mostra um lado mais adulto, que viria a trabalhar forte nos futuros álbuns.

Não podemos reclamar que foi uma mudança brusca, pois afinal, já víamos sinais de TBDT nos discos anteriores da canadense: He Wasn’t, Who Knows, Thing I’ll Never Say e My World entrariam fácil na tracklist do CD.

Mesmo com um som característico da época, em pleno 2020 as músicas chicletes punk-rock-pop de The Best Damn Thing não soam tão datadas.

As canções que falavam a mesma linguagem dos fãs naquele tempo, hoje são comemoradas e relembradas com nostalgia. Talvez até aquele fã mais “rebelde”, que daria tudo para vê-la de gravata novamente, cante “hey hey you you” por aí.