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Suspeito de participar de morte do jornalista João Miranda já o teria ameaçado

Segundo delegado, o homem, que já foi preso, não gostava das notícias policiais publicadas a respeito de seu irmão

O chefe de vigilância da Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto, Douglas de Morais, preso nesta quarta-feira (27/7) por suspeita de participar da morte do jornalista João Miranda do Carmo, de 54 anos, já teria feito ameaças à vítima e à sua família. A informação é do delegado Pablo Santos Batista, que investiga o caso.

De acordo com ele, o suspeito foi identificado por meio de uma testemunha sigilosa. “Essa pessoa disse que viu ele dando fuga aos homens que atiraram contra o João”, revela o delegado.

Conforme apurado pela Polícia Civil, Douglas teria ameaçado o jornalista anteriormente por conta de notícias publicadas em seu site. Supostamente, João teria postado matérias a respeito de um assassinato cujo autor seria o irmão do suspeito.

Mesmo com os fortes indícios quanto à autoria e motivação do crime, o delegado não descarta ainda nenhuma linha de investigação. “Não descartamos nenhuma possibilidade, nem a de crime por eventual motivação política, nem por conta de postagens policiais publicadas no site.”

Ainda assim, nesse sentido, não foram levantados até o momento nenhum indício de que o prefeito Itamar Lemes do Prado possa estar envolvido no crime. A possibilidade foi aventada nas redes sociais e no meio jornalístico devido às críticas contumazes que João publicava em seu site contra a gestão de Santo Antônio do Descoberto.

No momento, a polícia busca novas testemunhas que possam ajudar na elucidação do caso.

O crime

João Miranda do Carmo foi assassinado a tiros na noite deste domingo (24/7) em Santo Antônio do Descoberto. Ele era editor-chefe do site de notícias locais S.A.D. Sem Censura e, segundo pessoas próximas, era alvo de ameaças.

De acordo com informações preliminares, no momento do crime, João estava sozinho em casa quando foi chamado no portão. Ao sair, foi alvejado por homens armados que estavam em um carro vermelho. Foram disparados 22 tiros, dos quais sete atingiram a vítima.

Pelas redes sociais, amigos e familiares lamentam a morte de João e pedem a punição dos autores do crime. “Pedimos que seja feita uma investigação rigorosa e que os responsáveis sejam punidos.
Deixamos nossas mais sinceras condolências à família e amigos por essa inestimável perda”, escreveu um colega.

Por nota, o Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor) informou que a entidade está acompanhando as investigações sobre o assassinato do comunicador. “Já fizemos contato com a Secretaria de Segurança Pública para termos a real motivação deste crime para saber se tem relação com sua atividade de comunicação. Esperamos providências para que o crime seja solucionado o mais breve possível com a prisão dos autores!”

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) cobrou “agilidade” nas investigações. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pediu que os criminosos sejam levados à Justiça. “A impunidade de crimes contra jornalistas restringe a capacidade dos profissionais de mídia de realizarem seu trabalho e promoverem o acesso do público a fontes de informação diversas e independentes”, afirmou em nota Irina Bokova, diretora-geral da Unesco.

‘Uso político’

Já o prefeito Itamar Lemesdo Prado alegou por meio de sua defesa que os opositores fazem uso “político” e “irresponsável” do crime. A advogada Eliane Laurindo Amaral disse que, desde o início do mandato, em 2010, Itamar recebe críticas de jornalistas, como Miranda, e sempre reagiu às reportagens “agressivas” no âmbito da Justiça.

“O senhor João Miranda fazia parte da oposição. Toda vez que ele publicava na Folha da Copaíba um texto mais ofensivo, o prefeito ajuizava uma ação”, afirmou Eliane. “O prefeito repudia todas as campanhas de pessoas que estão aproveitando um crime para fazer política”, completou.