Aulus Rincon
Do Mais Goiás

Bombeiro diz que cabo mordeu suas nádegas em “batizado” no quartel em Goiânia

Importunação - que começou no ano passado, segundo a vítima - aconteceu na frente de outros militares

Um soldado do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás denunciou na semana passada, ao comando geral da corporação, um colega de farda, por assédio moral e sexual. Segundo ele, as importunações sexuais, que começaram em novembro do ano passado, aconteciam dentro de um quartel em Goiânia, muitas delas, na frente dos demais bombeiros.

No memorando encaminhado ao Comando Geral dos Bombeiros, o soldado disse que no dia 10 de setembro do ano passado, data em que começou a trabalhar no 8º BBM, que fica no Parque Amazônia, teve suas calças arriadas por um cabo, e recebeu uma mordida na bunda. Na ocasião, o cabo teria dito ao soldado, que na hierarquia militar é subordinado a ele, que aquela era uma forma de batismo pelo fato dele estar chegando no quartel.

Em várias outras oportunidades, porém, este mesmo cabo, segundo o soldado, o assediou com brincadeiras e xingamentos de conotação sexual, com toques em suas partes íntimas, além de puxões de cabelo. O militar contra que chegou a comprar uma arma de choque para tentar barrar as importunações, mas relatou que nem isso inibia as investidas do cabo, que muitas vezes também o agrediu com golpes de artes marciais.

O assédio e os insistentes abraços e toques em suas partes íntimas, ainda de acordo com as denúncias feitas pelo soldado, só tiveram fim em março, quando, em decorrência da pandemia, ele e o cabo passaram a dar expediente em horários diferentes no quartel. Em sete de dezembro passado, porém, quando voltaram a trabalhar no mesmo horário, as investidas aconteceram novamente, mas agora, ainda conforme a denúncia do soldado, o cabo estava mais agressivo, e enviou fotos e vídeos dele para demais colegas com frases dizendo que todos poderiam possuí-lo, já que ele estaria cansado “de abusar desse corpinho”.

Áudios, vídeos e fotos com prints de mensagens pejorativas enviadas pelo cabo ao soldado e demais colegas, foram anexados na denúncia feita ao Comando dos Bombeiros. O soldado também arrolou, como testemunha, seis colegas de farda, entre eles três tenentes, que teriam presenciado grande parte dos assédios.

Como as investigações do caso correm em sigilo, o Corpo de Bombeiros alegou que não irá se pronunciar, mas afirmou que o cabo denunciado já foi afastado de suas funções. A denúncia também já foi encaminhada ao Ministério Público Estadual.