Economia

Sindiposto: 90% dos postos de Goiânia estão sem etanol; Interior está com 70% das bombas secas

Checagem foi realizada pela entidade nesta manhã e aponta para intensificação da condição que já é considerada crítica. Presidente afirma que sindicato irá recomendar repasse de desconto no diesel


Hugo Oliveira

Do Mais Goiás | Em: 28/05/2018 às 11:05:07


Preço diminuiu 0,74% em relação a semana anterior (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Preço diminuiu 0,74% em relação a semana anterior (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Levantamento do Sindiposto realizado na manhã desta segunda-feira (28) aponta que 90% dos postos da Capital estão sem etanol. Outros 35% também estão carentes de gasolina e diesel. No interior, porém, a situação é mais grave, já que 70% dos postos estão completamente secos. A tendência, segundo sindicato é que a situação fique cada vez mais crítica, uma vez que a passagem de caminhões ainda não é permitida nos trechos com manifestação dos caminhoneiros.

Segundo o presidente da entidade Márcio Andrade, várias cidades estão totalmente sem combustíveis. “Rio Verde, Jataí, Piracanjuba, Catalão, Itumbiara, Jussara, Porangatu, Luziânia, Valparaíso estão com postos sem funcionar, completamente vazios. Algumas dessas cidades receberam combustível ontem, mas foi para atender serviços essenciais, como o de policiamento e hospitais, mas a população continua sem acesso”.

Escassez

Exemplo desse contexto é o empresário José Herculano Cabral Sousa (54), proprietário de um posto de combustíveis de Jataí. Segundo ele, a cidade está “completamente seca”. “Meu posto está sem nenhum combustível dede sexta-feira pela manhã, já são três dias fechado, só funciona a loja de conveniência. Pessoas ainda estão andando de carro porque se precaveram, mas isso não vai durar por muito tempo”.

Jataí e Rio Verde estão entre as cidades mais afetadas.
(Foto: Paulo Pinto/FotosPúblicas)

Ele diz ainda não ter calculado os prejuízos, mas reforça que é a favor do movimento. “Os valores no Brasil estão invertidos. Aqui é o poste que urina no cachorro. Então o País estava precisando de uma chacoalhada para ver se alguém tomava alguma posição”.

De Rio Verde, a empresária Lasarina Barros (52), proprietária de um posto na região central do município, também afirma que a cidade está completamente sem combustíveis. “Meu posto está seco desde às 18h de quinta-feira. Na mesma situação estão os outros 25 estabelecimentos da cidade. Sinceramente, está faltando coragem para calcular os prejuízos. O posto está fechado, sem funcionar e não temos previsão de retomada das atividades para essa semana”, lamenta.

Pronunciamento

Na noite de domingo (28) o presidente Michel Temer (MDB) fez um pronunciamento em que indicou medidas tomadas pelo governo para atender os anseios da categoria de caminhoneiros. Entre as alternativas encontradas foi a redução de R$ 0,46 no preço do óleo diesel por 60 dias.

Na oportunidade, o ministro Carlos Marun, titular da Secretaria de Governo, afirmou que a redução custará R$ 10 bilhões aos cofres públicos, recurso que será coberto pelo Tesouro, via crédito extraordinário.

De acordo com Márcio, o Sindiposto irá recomendar o repasse do desconto promovido pelo governo federal. Ele alerta, entretanto, que pode haver disparidade no desconto a ser repassado.

“O desconto anunciado por Temer é para as refinarias. Por diversos fatores, como frete, os valores podem se alterar para os donos de postos. Nós não fazemos gerência de preços essa é uma atividade de cada empresário, são eles quem definem. No entanto, em função da situação, vamos sugerir que repassem toda a redução na proporção que receberem mais barato, pois não sabemos ainda qual será o reflexo que isso vai gerar nas distribuidoras”, sublinha.

Ainda sobre o pronunciamento, Andrade ressalta que este era um movimento esperado pela categoria. “Tem que reduzir essa carga tributária exorbitante. O governo estadual também tem uma grande participação no preço. Precisa ter uma participação de todas as esferas do governo para desonerar os combustíveis em benefício do consumidor. Essa é uma pauta que defendemos há anos”.