DURANTE A PANDEMIA

Setor de eventos tem desafio de superar prejuízo de R$ 15 bi em Goiás

Trabalhos serão retomados a partir da próxima semana, em Goiânia. No Estado, cerca de 40 mil pessoas ficaram desempregadas por conta da pandemia; além de prejuízos financeiros, profissionais também lidam com danos psicológicos


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 16/10/2020 às 12:08:35

Na próxima semana, o setor de eventos retoma atividades em Goiânia. Após sete meses parado, segmento teve prejuízo de R$ 15 bilhões. (Foto: arquivo pessoal)
Na próxima semana, o setor de eventos retoma atividades em Goiânia. Após sete meses parado, segmento teve prejuízo de R$ 15 bilhões. (Foto: arquivo pessoal)

Na próxima semana, o setor de eventos deve retomar as atividades presenciais gradualmente, com festas sociais para até 150 pessoas, em Goiânia. Há 7 meses parado, o segmento goiano teve prejuízo de R$ 15 bilhões e cerca de 40 mil pessoas desempregadas na por causa da covid-19, segundo levantamento do Sindicato de Turismo e Hospitalidade (SindTur). Além do prejuízo financeiro, profissionais da área lidam com pressões e problemas psicológicos desenvolvidos durante a pandemia do coronavírus.

A perspectiva para os próximos dias é boa, mas a realidade nem sempre foi essa nos últimos meses. Isso porque o Centro de Operações de Emergência Municipal (COE) da capital aprovou, em reunião na última terça-feira (13), a retomada dos eventos sociais na cidade, com restrições como quantidade de público, proibição de pistas de dança, lounges e brinquedotecas.

O empresário Renato Jacobson, de 37 anos, é um dos vários profissionais da área de som, iluminação e estrutura de eventos que passam por maus bocados desde o início da pandemia em Goiás. Com toda a agenda cancelada, o profissional precisou se desfazer de equipamentos e demitir funcionários.

(Foto: arquivo pessoal)

“Tivemos prejuízo financeiro, claro, mas o principal prejuízo foi o psicológico. É uma área que emprega muita gente. Várias pessoas foram demitidas porque ficou impossível manter sem eventos. Teve o auxílio do governo que ajudou pouquíssimo. Muita gente teve que vender equipamentos muito abaixo do preço para não passar fome”, relatou.

Há nove anos no ramo, Renato relata que nunca passou por algo semelhante. “A gente até consegue lidar com a questão financeira, vai apertando daqui e dali e passamos por isso. Mas ficar parado por meses, abala o psicológico”, disse. Segundo ele, o que manteve muitos profissionais de pé foi o SOS Backstage, um movimento da categoria que organizou lives para arrecadar cestas básicas para trabalhadores do segmento.

“Ficamos muitos meses parados sem perspectiva alguma. O que me ajudou a não surtar foram essas lives com bandas locais. Consegui ajudar, inclusive, funcionários que acabei tendo que demitir por falta de alternativa mesmo”.

Prejuízos

Os sete meses sem atividades causaram prejuízo de R$ 15 bilhões ao setor de eventos e hotelaria no Estado. O presidente do Sindicato de Turismo e Hospitalidade (SindTur), Ricardo Rodrigues Gonçalves, estima que entre 30 e 40 mil pessoas ficaram desempregadas por causa da pandemia.

“Grandes eventos deixaram de ser feitos e muitas empresas têm custos fixos, como IPTU, energia elétrica, água, além de custos de rescisões. O setor engloba uma cadeia muito grande. Em um evento, por exemplo, envolve segurança, higienização do local, alimentação e outros. Muitas pessoas que ficaram sem trabalhar. Tivemos um caos social, com sequelas psicológicas difíceis de serem reparadas”, disse.

Segundo ele, nem todos os empresários conseguiram crédito com o governo por conta de questões burocráticas. “Muitos passaram fome. Outros abandonaram o setor para procurar outras atividades”.

Ricardo salienta que, mesmo diante das restrições impostas, à categoria comemora o retorno gradual. “Estamos com a pandemia um pouco mais controlada, com menos mortalidade, e, por este motivo, poderemos retomar as atividades. Pedimos colaboração de todos. Que os fornecedores cobrem dos clientes o uso de máscara, o distanciamento e as demais normas, para evitar novo surto e novo fechamento”, afirmou.

Expectativa

Para o presidente do SindTur, a expectativa para a retomada é boa. De acordo com ele, será o momento de garantir as portas abertas e não de pensar em receita e lucro. “É como se você estivesse reabrindo um negócio. Os empresários terão retorno entre 6 meses, um ano. Mas sem dúvidas estamos felizes por estar de volta”.

O empresário Renato Jacobson coaduna com o pensamento do presidente do SindTur. Segundo ele, o setor está preparado para a volta, seguindo todos os protocolos para evitar a propagação da covid-19. “Já estamos tendo bastante procura. O ano que vem a agenda será cheia por conta de novos eventos e para a realização daqueles que foram adiados. Esperamos e torcemos para que os profissionais do setor não desanimem e tenham forças para continuar as atividades”.