CPI/ENEL/ALEGO

Servidores estariam sem salário desde 2015, caso Celg não fosse privatizada, diz Ana Carla Abrão

Venda, segundo ex-titular da Sefaz, em período mais agudo da recessão goiana. Segundo ela, iniciativa foi necessária para evitar que a empresa quebrasse e deixasse o Estado sem energia, rumo à falência


Da Redação
Do Mais Goiás | Em: 07/08/2019 às 09:46:18

Ana Carla Abrão na CPI da Enel (Foto: Sérgio Rocha/Alego)
Ana Carla Abrão na CPI da Enel (Foto: Sérgio Rocha/Alego)

A responsável por liderar a privatização da Celg Distribuição (Celg D) no governo tucano, a ex-secretária da Fazenda de Goiás (Sefaz) Ana Carla Abrão, esteve na Assembleia Legislativa para participar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Enel. Na ocasião, ela ressaltou que a venda era necessária ou servidores estariam sem pagamento desde 2015.

Segundo a ex-gestora, as ações que culminaram na venda da estatal “priorizaram o povo”, já que a empresa necessitava de recursos que poderiam ser melhor empregados em outras áreas. “Ter a Celg era o mesmo que desviar recursos de atividades mais importantes, porque absorvia dinheiro sem devolver benefícios para a população”.

Em resposta ao parlamentar Cairo Salim (Pros), que perguntou se a privatização foi o caminho certo a seguir, Abrão disse que a decisão de vender a empresa se deu em um contexto conturbado para as finanças estaduais. Para ela, em 2015, quando se iniciaram as discussões sobre o assunto, Goiás enfrentava o pior período de recessão.

“Na época revimos a Lei Orçamentária Anual (LOA) para Goiás não se tornar o Rio de Janeiro. A Celg estava em um estado adiantado de deterioração financeira, sem investimentos há muito tempo, enquanto o governo estava sem capacidade de fazer aportes para reverter a situação”, contextualizou.

Decisão de privatizar empresa surgir em 2015 (Foto: Reprodução)

Sem dinheiro, segundo Ana Carla, a Celg, que respondia por 15% do ICMS estadual, passou a atrasar pagamentos. “Isso significava não pagar a folha dos servidores. Além de não repassar, dava sinais de que não conseguiria, mesmo cobrando do consumidor final”.

Os problemas financeiros, de acordo com a ex-gestora, também afetavam outras pastas. Para priorizar o envio de recursos para Saúde, Educação e Segurança, o governo tucano decidiu vender a Celg D. “Um dinheiro que seria melhor alocado nos serviços básicos. Uma empresa, portanto, poderia oferecer esse serviço [distribuição de energia elétrica] com melhor atendimento à população”.

Eletrobrás

Na época, porém, a maior parte das ações da Celg D pertenciam à empresa federal Eletrobrás. Era necessário dialogar com o governo Dilma sobre o assunto. De acordo com Abrão, o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi favorável à iniciativa estadual. “Ele acolheu porque nem Goiás e nem o governo federal tinham recursos para colocar na companhia”.

No processo, BNDES, Tribunal de Contas da União (TCU), Eletrobrás e Aneel, entre outros órgãos e agências foram consultados para respaldarem o processo de privatização. “Passamos por dois presidentes, Dilma e Temer, ambos tinham um discurso: precisamos vender a Celg ou ela irá quebrar; os goianos ficarão sem energia e Goiás vai quebrar. A única alternativa era deixar de pagar a folha”.

Para ela, a venda não se tratou de uma questão técnica e caso a venda não tivesse ocorrido, servidores estariam sem pagamento desde 2015. “Se a Enel não entrega o que prometeu, temos uma agência reguladora que tem que cumprir seu papel. Porém, temos uma empresa agora que tem capacidade de responder, coisa que a Celg não tinha”.

*Com informações da Alego e do Jornal Opção