Cinema

Selton Mello: “É um filme poético e acho que o mundo precisa de poesia”

Ator e diretor esteve em Goiânia para promover O Filme da Minha Vida, seu terceiro longa como diretor


Jose Abrão
Do Mais Goiás | Em: 24/07/2017 às 09:01:28

(Foto: Alice Orth)
(Foto: Alice Orth)

Em fevereiro deste ano, o ator e diretor Selton Mello esteve em Goiânia durante a mostra O Amor, a Morte e as Paixões, promovida pelos cinemas Lumière e prometeu retornar para lançar o seu novo longa, O Filme da Minha Vida. Promessa cumprida: “Sentiu firmeza?”, brincou ele ao ser relembrado, “Sou um homem de palavra”.

Com estreia marcada para o dia 3 de agosto, O Filme da Minha Vida teve uma pré-estreia oficial na noite de domingo (23) com a presença do ator realizada no Lumière do Shopping Bougainville, no Setor Marista.

O novo filme é o terceiro dele como diretor e assim como Feliz NatalO Palhaço antes dele, fala sobre família e sobre auto-descobrimento. Selton disse que a temática não é intencional: “A gente quando faz um trabalho a gente não pensa em algumas coisas que quando você vai dar entrevista começa a pensar. Dizem que um diretor faz o mesmo filme a vida inteira. Eu acho que tô entrando pra esse time. Na verdade são temas que me agradam, falar de família, de esperança”.

Ele destaca que O Filme da Minha Vida é emocionante e positivo: “Esse filme é lindo, esteticamente, mas também emocional, afetivamente. Em um momento tão cinza, tão esquisito em que a gente vive no mundo, esse filme é um presente pro público, um bálsamo para os sentidos. Um filme que vai te devolver melhor no final da sessão, o que já é muita coisa”.

O filme adapta um romance do escritor e ator chileno Antonio Skármeta e passou por um processo curioso. O cineasta não conhecia os romances do autor até ser procurado pelo próprio. “Eu não conhecia obra nenhuma dele. Eu conhecia, é claro, O Carteiro e o Poeta, um filme que me tocou muito, mas esse livro meio que caiu no meu colo. O Skármeta me procurou, ele ama o Brasil, veio em uma feira literária no sul e falou pra um amigo que queria ver esse livro virar filme em português. Esse amigo pensou, poxa tem esse cara que vez esse filme agora, O Palhaço, acho que o Selton tem muito a ver com você. Aí ele procurou a gente, ofereceu os direitos. Eu li, amei a história, conheci o Skármeta, li outros livros dele”.

Saindo da Literatura para o Cinema, o ator e diretor disse que enxerga o cinema como um tipo especial de arte: “Eu enxergo o cinema como poesia, eu trato a câmera como uma caneta. Uma caneta que olha, que sente. Esse filme é feito pela via afetiva em cada plano, em cada escolha, em cada montagem. Nesse sentido é um filme poético e acho que o mundo precisa de poesia”.

O enredo acompanha o amadurecimento do jovem Tony Terranova, vivido por Johnny Massaro e foi todo gravado na serra gaúcha. “É uma história linda sobre um jovem virando adulto, vivido por um ator brilhante que é o Johnny Massaro. Eu tô no elenco também, fazendo um personagem muito legal que tem mistérios e segredos, mas só quem assistir vai entender. Tem o Vincent Cassell, astro internacional, Rolando Boldrim voltando aos cinemas depois de 20 anos”, contou.

Ele disse que quis sair um pouco do mais do mesmo do cinema nacional ao querer contar uma história diferente em um lugar diferente: “Esse filme tem toda uma reconstrução de época dos anos 1960, talvez seja um pouco fora da curva, pelo fato de ser filmado no sul, o Brasil é muito grande e a gente tem muito filme Rio-São Paulo, favela, tiroteio, samba, sertão e muito pouco serra gaúcha”.

Sendo assim, há alguma chance de filmar em Goiás? “Quem sabe? Nada aconteceu ainda nesse sentido de eu ler algo que me inspirou. Esse livro que gerou O Filme da Minha Vida se passa nos anos 1950 no Chile e eu transformei em serra gaúcha anos 1960. Então quem sabe…”

Sobre projetos futuros, em sua última visita ele mencionou uma adaptação de O Alienista, do Machado de Assis, para uma minissérie da TV Globo. De acordo com ele, os roteiros estão prontos, falta agora o sinal verde para rodar: “De lá pra cá a adaptação andou. Dez capítulos adaptados. A gente entregou um primeiro tratamento pra Globo e agora a gente entra na fila de espera dos produtos da Globo. Vai ser legal levar Machado de Assis pra TV”.

O ator também elogiou o público goiano: “Sou sempre muito bem recebido aqui. O público goiano tem um apresso muito grande por cinema de qualidade. Um dos lugares em que o público mais assistiu O Palhaço foi aqui e eu espero que isso se repita”.

E deixou o convite: “é um filme do qual estou muito orgulhoso e espero que o pessoal de Goiânia lote as salas de cinema”.