Artur Dias
Do Mais Goiás

“Se estava ruim, ficou pior”, diz OAB sobre rebelião no Complexo Prisional

Comissão de Direitos Humanos irá apurar possíveis violações aos direitos humanos no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Advogado e familiares de detentos durante rebelião no Complexo Prisional de Aparecida (Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

A Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO (CDH) irá realizar uma inspeção para apurar possíveis violações aos direitos humanos no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O objetivo é apurar o que causou a rebelião de presos que aconteceu no início da tarde desta sexta-feira (19).

Em entrevista ao Mais Goiás, o presidente da CDH, Roberto Serra da Silva Maia, informou que a comissão acompanhou in loco o trabalho da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP). Ele afirmou também que recebeu uma série de denúncias de familiares de presos pouco antes da rebelião acontecer.

“Eu comecei a receber notícias de familiares de pessoas presas que internos estariam sendo alvo de maus-tratos e agressões aos presos. Todas de forma extra-oficial, pelo WhatsApp e por e-mail. Na mesma hora, recebi a informação de que ‘a cadeia estava virando’. Como eu estava no meio de uma audiência, solicitei ao vice-presidente, Gilles Gomes, que fosse ao local”.

"Se estava ruim, ficou pior", diz OAB sobre presídio de Aparecida de Goiânia

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO, Roberto Serra. (Foto: Reprodução/OAB-GO)

Roberto disse que é cedo para apontar o que aconteceu, mas que a OAB-GO irá acompanhar a apuração do caso. “O que iremos fazer é chamar os órgãos responsáveis pela execução penal para que nos auxiliem nessa inspeção. Vários fatores podem deflagrar uma rebelião”.

O presidente afirmou ainda que a situação do sistema prisional em Goiás tem preocupado a ordem. “Não é de hoje que temos notícias de que o sistema prisional está com problemas sérios. Nós chegamos a fazer inspeções em janeiro no complexo. O local vai persistir no acolhimento de detentos. Se estava ruim, certamente ficou pior após a rebelião”, concluiu.

A rebelião

Os detentos acusam a administração da unidade de violação da cobal, com a retenção de alimentos levados pelos familiares. Eles chegaram a transmitir a rebelião ao vivo pelo Facebook. No vídeo, é possível ver um cenário de caos: colchões pegando fogo, detentos feridos e barulho de tiros.

Nos vídeos obtidos pela reportagem, os presos aparecem cobrando a substituição da atual direção da POG. Segundo eles, a administração da penitenciária teria vetado a entrada de alimentos para eles, permitindo apenas sabão e água.

“Isso aqui aconteceu por causa do diretor, ele quer oprimir “nóis”, “tamo” dando a resposta. Quis dar sabão pra gente comer. Tão dando tiro de verdade em nós. Também temos família. Cadê os Direitos Humanos? Só passam pano para estuprador, que come o filho dos outros. Estamos reivindicando os nossos direitos”, diz um dos detentos.

A rebelião acontece um dia após o assassinato do Vigilante Penitenciário Temporário (VPT), Elias de Sousa Silva, e da esposa dele, Ana Paula Dutra, nas proximidades do Complexo Prisional. A reportagem apura a possível relação que o evento de hoje pode ter com o crime.

Ao Mais Goiás, a DGAP afirmou que, por volta das 15h30, a situação já estava resolvida.