Carnaval/RJ

São Clemente critica políticos em geral e Bolsonaro em particular na Sapucaí

A cultura malandra dos brasileiros como um todo também não ficou de fora da zombaria da escola, que abriu o segundo dia de desfiles do Carnaval da Sapucaí.


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 25/02/2020 às 00:30:11

Com o enredo “O conto do Vigário”, a São Clemente reforçou a sua característica como uma escola que se diverte com enredos satíricos, fazendo uma crítica direta e bem-humorada da histórica mania do “jeitinho brasileiro”.
Com o enredo “O conto do Vigário”, a São Clemente reforçou a sua característica como uma escola que se diverte com enredos satíricos, fazendo uma crítica direta e bem-humorada da histórica mania do “jeitinho brasileiro”.

A São Clemente usou o humor para criticar os políticos em geral e um deles em particular: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A cultura malandra dos brasileiros como um todo também não ficou de fora da zombaria da escola, que abriu o segundo dia de desfiles do Carnaval da Sapucaí.

Com um desfile fraco em fantasias e alegorias, porém com discurso de peso, a escola não animou muito no começo, mas foi conquistando o público ao longo da avenida com um samba-chiclete e uma série de piadas, como a ala das grávidas de Taubaté que fechou a apresentação.

O enredo foi “O conto do vigário”, começando com a origem da expressão contada por uma comissão de frente um tanto quanto confusa. Um dos integrantes chegou a escorregar por causa da pista molhada -a escola deu sorte, e a chuva parou pouco tempo antes do início do evento.

A animação veio principalmente quando a bateria chegou toda vestida de laranja, em uma referência às suspeitas de um esquema de desvio de recursos públicos no PSL por meio de candidaturas femininas de fachada nas últimas eleições, reveladas pela Folha.

Logo atrás, no quarto carro da escola, componentes jogavam a fruta de mentira na plateia de tempos em tempos. A mesma alegoria levou placas com as frases “a terra é plana”, “acabou a mamata” e “indiretas já!”. Na traseira, uma prisão.

Marcelo Adnet (Foto: Dhavid Normando | Riotur)

O humorista Marcelo Adnet, um dos autores do samba-enredo, desfilou em cima de um carro alegórico vestido como Bolsonaro e fazendo o símbolo de arminha com as mãos. O ator Mateus Solano também vestia laranja.

Mas as alfinetadas no presidente não pararam por aí. O VAR (arbitragem de vídeo no futebol) e as notícias falsas também estavam no samba da São Clemente: “Brasil, compartilhou, viralizou, nem viu! E o país inteiro assim sambou, caiu na fake news!”.

O último carro alegórico foi dedicado a elas, com um grande celular recebendo mensagens estridentes como “Leonardo DiCaprio BOTOU FOGO na AMAZÔNIA!!!” e “Não existe aquecimento GLOBAL”. (Júlia Barbon)