Artur Dias
Do Mais Goiás

Reunião é realizada no MP para abordar caso do médico do TJ acusado de assédio

O encontro entre vítimas, promotores de justiça, defensores públicos e representantes de entidades defensoras da mulher ocorreu na manhã desta segunda (28)

Uma reunião convocada pela vereadora Dra. Cristina (PSDB), que também preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Goiânia, foi realizada na manhã desta segunda-feira no Ministério Público de Goiás (MP-GO). O encontro se deu para que o MP pudesse prestar informações às vítimas acerca do andamento do processo contra o ex-diretor do Centro de Saúde do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Ricardo Paes Sodré. Ele é acusado de assédio sexual, moral e abuso de autoridade.

Na ocasião estiveram presentes representantes do MP-GO, vítimas e representantes de entidades que apoiam a luta contra a violência à mulher. A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) também compareceu.

“Foi um momento em que o MP pôde prestar esclarecimentos às vítimas sobre a tramitação do processo e pudemos falar também sobre nossa atuação”, conta a coordenadora do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem/DPE-GO), Gabriela Marques Rosa Hamdan. A Defensoria Pública está oferecendo apoio cível e criminal às vítimas do médico, já que o mesmo também ingressou ação contra elas. “De segunda à sexta, das 8h às 17h estamos à disposição de quem se sentir à vontade e necessitar de suporte jurídico relativo ao caso”, afirma.

De acordo com a coordenadora do Nudem, ainda há mais vítimas do médico que não denunciaram os casos. “Hoje na reunião, uma das vítimas relatou que conhece mais mulheres que sofreram assédio por parte do ex-diretor, mas que ainda estão pensando na possibilidade de protocolar denúncia”, relata.

“Foi constrangedor”

Sobre a reunião, umas das vítimas, que não terá identidade divulgada por preservação de imagem, conta que se sentiu amparada pelos órgãos. “Pudemos tirar dúvidas e fomos bem acolhidas”, avalia. “Há mais vítimas dentro do TJ com medo de denunciar. Com a saída do atual presidente (Gilberto Marques Filho), dia 4 de fevereiro, talvez mas pessoas tomem coragem”, relata a vítima. Mais de 90 pessoas, dentre vítimas e testemunhas, já foram ouvidas pelo MP. “Todos os dias descobrimos mais casos”, lamenta a vítima.

“Na semana passada houve o PAD, que é um processo administrativo de investigação dentro do TJ. Nesse momento, algumas vítimas foram chamadas para depor, contudo tiveram a infeliz surpresa de ter o investigado dentro da sala no momento em que eram ouvidas. Foi constrangedor”, relata.

Sobre essa questão, o MP informa que providencias já foram tomadas e que estão atentos a eventuais novas condutas nesse sentido, a qual poderá resultar em investigação de possível crime de coação.

A defesa do médico informou que não há posição a respeito da presente reunião e se queixou sobre o andamento do processo que já vem se arrastando há quase um ano. Além disso, falou-se no privilégio de informações por parte das vítimas do caso.

*Larissa Lopes é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo