RIO DE JANEIRO

Repórter é xingada de ‘macaca’ por funcionário público

A secretária municipal de Saúde de Japeri, Rosilene Moraes, afirmou que o funcionário foi exonerado no mesmo dia


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 25/09/2020 às 21:32:45

Uma repórter da Rede CNT foi chamada de
Uma repórter da Rede CNT foi chamada de "macaca" por um funcionário público da área da saúde do município de Japeri, Rio de Janeiro. (Foto: arquivo pessoal)

Dois jornalistas da Rede CNT sofreram agressões físicas e verbais por parte de um funcionário público da área da saúde do município de Japeri, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A repórter Julie Alves e o cinegrafista Vangelis Floyd gravavam um material para o programa “Fala Baixada”, voltado especificamente para notícias da Baixada Fluminense, quando foram abordados.

A jornalista contou ao UOL como tudo aconteceu. De acordo com ela, eles foram realizar uma matéria sobre um lixão, que fica ao lado do Posto de Saúde do Mucujá, quando o agressor, um dos diretores da unidade, começou a abordagem já de forma truculenta. A ação foi registrada por testemunhas em vídeo, ao qual o UOL teve acesso.

“Nós já estávamos terminando de produzir o material, o cinegrafista já tinha até desligado a câmera, quando chegou esse homem. Ele começou a gritar com palavrões ‘por*, caral*, quem mandou vocês gravarem aqui?'”.

Julie conta que o questionou, disse que não precisava de autorização e conhecia seus direitos. “Foi aí que ele falou ‘sabe do seu direito o que, macaca?’. Logo em seguida, o cinegrafista questionou o modo como ele me tratou e o homem o mandou calar a boca e o chamou de gordo.”

A equipe continuou registrando o que estava acontecendo. “Quando ele percebeu, veio na minha direção para bater no meu rosto. O cinegrafista foi me proteger. O homem acabou batendo na minha mão e meu microfone caiu. Ele foi então em direção ao cinegrafista e deu um chute nele. Algumas pessoas que estavam no local foram segurá-lo”, conta a repórter.

Julie ficou muito nervosa com a situação. Depois do ocorrido, os dois tiveram a pressão aferida no posto de saúde e depois foram medicados em uma policlínica da região. Em seguida, compareceram à delegacia para registrar um boletim de ocorrência.

“Nunca passei por isso, nunca imaginei passar por isso, só queria fazer meu trabalho e eu ainda estou chateada e triste. Uma situação muito desagradável. Ele é preto, eu sou preta, e partir de um preto uma atitude dessas, e tão truculenta, me deixou muito mais indignada”, desabafa a repórter.

Funcionário exonerado

Procurada pelo UOL, a secretária municipal de Saúde de Japeri, Rosilene Moraes, afirmou que o funcionário foi exonerado no mesmo dia: “Eu não assisti à cena. Estava em reunião com subsecretários realizando o documento de flexibilização da cidade.

“Hoje, solicitei as imagens de nossas câmeras de segurança. Ontem fomos pegos de surpresa e na hora todos nós descemos para ver do que se tratava e um dos subsecretários correu para afastar o bate boca.”

Rosilene contou que imediatamente levou os dois para a sala dela e os acolheu. “Também demos os primeiros socorros. Imediatamente fiz o ofício de exoneração e enviei para publicação. Não compactuamos com violência, este episódio, nunca aconteceu aqui. Nunca tomei ciência de algo desse jeito.”

Ainda que considere o fato isolado, a secretária pediu desculpas. “Ele agiu por conta própria e deve responder por seus atos se assim for determinado. Da minha parte, da equipe e do prefeito só resta pedir desculpas e exonerar o servidor, fato que já fizemos ontem mesmo.”

Investigações

O delegado responsável pelo caso, Flávio Ferreira, conversou com o UOL e disse que o suspeito pode pegar mais de quatro anos de prisão, por injúria qualificada, ameaça e lesão corporal. O homem ainda será chamado para prestar depoimento.

“O caso foi registrado ontem, ela foi ouvida e foi encaminhada para o IML (Instituto Médico Legal). Futuramente ele e demais testemunhas serão chamados para prestar depoimento. Vou ver se há imagens do cinegrafista e vamos pedir as do próprio posto.”

A defesa do suspeito não foi localizada pela reportagem. O espaço está aberto para que ele possa se manifestar.