Relatório do Ministério da Segurança Pública aponta defasagem da carceragem Goiana

Estado carece de quase 10 mil vagas no sistema prisional; taxa de ocupação carcerária é de 236%. Números ainda indicam falta de efetivo policial e presença de pelo menos 1,5 mil integrantes do CV e PCC em Goiás

Em uma reunião noturna com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, na terça-feira (6), em Brasília, o governador eleito Ronaldo Caiado (DEM) teve acesso a relatórios sobra a situação da mesma pasta em Goiás. Entre os itens compartilhados estão informações do sistema carcerário, efetivo policial, dados de inteligência e quadros de facções criminosas. Desse bojo, depreende-se uma defasagem de 9.767 vagas em presídios goianos, número concedido por meio do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, realizado em 2016.

Com uma população prisional de 16.917 indivíduos, de acordo com o documento, Goiás tem uma taxa de ocupação penitenciária de 236,6% – mais que o dobro da capacidade -, superior à média nacional, de 197,4%. Dos presos, o estado tinha à época 16.272 detentos no sistema penitenciário e outros 645 em carceragens de delegacias. Veja a seguir:

Fonte: Ministério da Segurança Pública

Porém, outro aspecto da segurança pública evidenciado pela documentação é a presença de 1,5 mil integrantes de facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado. Desses, mil membros do PCC estão espalhados em cidades do interior. Quanto aos outros 500, do CV, as informações alertam que, apesar do número menor, filiados tem mais estrutura financeira para conduzir ações criminosas.

Para lidar com o problema, o Estado possui uma equipe, considerada por Caiado, insuficiente. São 3.635 policiais civis, 11.667 policiais militares e 2.790 bombeiros para atender a uma população de quase sete milhões de pessoas em 246 municípios. A defasagem policial já foi reconhecida inclusive pelo Ministério Público Estadual (MP-GO), o qual recomendou, em fevereiro deste ano, a realização de concursos para a Polícia Civil (PC). Naquela oportunidade, 43 cidades sedes de comarca estavam sem delegado e outras nove, com equipe incompleta.

Reunião de Caiado com Jungmann, em Brasília (Foto: divulgação/Assessoria)

Ainda, segundo afirmação do diretor financeiro do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol), Henrique César Araújo, em janeiro deste ano, a situação das delegacias é precária, o que colabora para que casos fiquem sem solução.Segundo Caiado, a exposição de dados mostra uma “desproporção” de policiais civis, militares e bombeiros. “Diante desse quadro, é lógico que há incapacidade do setor da segurança pública em poder dar sustentação e segurança à população goiana”.

O governador eleito, não deixou de alfinetar a gestão tucana, com a qual tem travado discussões públicas durante a transição de governo. “Esse é um colapso que foi provocado pela má gestão dos 20 últimos anos, período em que realmente nós não tivemos nenhuma contratação e, ao mesmo tempo, houve uma diminuição do número de policiais para atender uma população crescente no nosso Estado”.

O Mais Goiás aguarda posicionamento do Governo de Goiás.