Agência O Globo

Rejeição a Bolsonaro chega a 43%, diz Datafolha

Índice é o maior desde o início do governo. Em abril, o percentual de brasileiros que consideram o governo ruim ou péssimo era de 38%

Bolsonaro tira de contexto dado da OMS sobre assintomáticos e pede abertura
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que espera uma "reabertura mais rápida" das atividades econômicas e que o "pânico pregado por parte da grande mídia" vai acabar depois de a OMS (Organização Mundial de Saúde) ter divulgado ontem que a disseminação do coronavírus por pessoas assintomáticas é "muito rara".

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira aponta que a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aumentou durante o último meses e foi a maior desde o início do governo. Segundo o levantamento, feito na segunda e terça-feira após a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, 43% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Na pesquisa anterior de 27 de abril, o índice era de 38%.

A rejeição ao presidente aumenta para 53% entre os que disseram ter assistido ao video da reunião, apontada pelo ex-ministro Sergio Moro como prova de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

A aprovação — avaliação ótimo ou bom — segue estável: 33%, mesma porcentagem de abril. Já o percentual de eleitores que acham o governo regular caiu de 26% para 22%, indicando uma migração de pessoas que estavam nesse campo para uma avaliação negativa, uma vez que o percentual de ótimo/bom se manteve estável. Não souberam ou não quiseram responder 2% dos entrevistados.

Entre os que consideram o governo ruim ou péssimo, 56% têm Ensino Superior, 65% são estudantes, e 48%, moradores do Nordeste. Entre os mais ricos, que ganham mais de 10 salários mínimos, a rejeição do presidente é de 49%, enquanto a aprovação é de 42%. Nesse segmento, a fatia daqueles que acham Bolsonaro regular é de 8%.

A pesquisa também questionou o nível de confiança em Bolsonaro. O percentual de entrevistados que disseram nunca confiar nas declarações do presidente subiu de 38% para 44%. Disseram confiar às vezes 32% contra 37% em abril, e sempre confiar 21%, mesmo percentual do mês passado. Não souberam responder 2%.

Segundo a pesquisa, 52% acham que Bolsonaro perdeu a capacidade de governar, e 45% acham que ele ainda possui.

Sobre a liturgia da Presidência, acham que Bolsonaro nunca se comporta de forma adequada ao cargo 37% dos entrevistados contra 28%, há um mês. Já os que acham que ele se comporta mal na maioria das vezes oscilou de 25% para 23%, dentro da margem de erro. E os que acreditam que o presidente respeita  as regras e normas do cargo são 13% (14% em abril).

A pesquisa ouviu 2.069 pessoas por telefone entre os dias 25 e 26 de maio de 2020. A margem de erro é de dois pontos percentuais.