Barbárie

Rebelião em Luziânia teria sido motivada por delação de preso sobre plano de fuga

Detento entregou plano de colegas de cela e, por isso, foi morto com requintes de crueldade. Vigilante assassinado está sendo velado em Minas Gerais


Thiago Burigato
Do Mais Goiás | Em: 12/09/2017 às 10:17:29

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

O motim que resultou na morte de dois detentos e de um agente prisional na última segunda (11), no Centro de Prisão Provisória (CPP) de Luziânia, pode ter sido motivado pela delação de um plano de fuga. A informação é do titular do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) do município, delegado Maurício Passerini, que vai apurar o caso.

De acordo com ele, os detentos se revoltaram com a frustração do plano para escapar da unidade. “Segundo fomos informados, a confusão começou porque um dos presos havia delatado uma futura fuga. Ele indicou, inclusive, o buraco por onde os envolvidos fugiriam”, afirma.

Conforme o delegado, o delator teria contado sobre o plano de fuga porque estaria sendo excluído e agredido pelos colegas de cela. Durante a rebelião, ele teve as pernas e a cabeça decepadas e o corpo queimado.

O motim resultou também na morte de outro presidiário, que não tinha relação com a delação. Segundo o delegado, ele teria sido morto por ter sido preso por abuso sexual de menor.

O delegado apontou ainda que a unidade prisional teria lotação acima do dobro de sua capacidade, o que pode ter contribuído para o acirramento dos ânimos dos detentos. A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) confirmou a lotação, mas não forneceu números precisos.

Nas próximas semanas, Maurício deve ouvir os vigilantes que estavam no local durante a rebelião e diz que vai verificar a possibilidade de os detentos serem deslocados até a delegacia para prestarem depoimento sobre o ocorrido.

Velório em MG

Valdison, vigilante morto durante a rebelião, será enterrado em Minas Gerais (Foto: Reprodução)

Durante a rebelião, dois servidores foram rendidos e feridos. Um deles era o vigilante penitenciário temporário Valdison Cardoso de Oliveira, que não resistiu e foi a óbito posteriormente. Segundo informações preliminares, ele teria morrido após levar um tiro de raspão em uma das pernas e ser espancado pelos presidiários, o que teria provocado uma parada cardíaca. Os exames que vão confirmar as causas da morte ainda não foram concluídos.

Segundo o presidente da Associação dos Servidores Prisionais do Estado (Aspego), Jorimar Bastos, Valdison será enterrado no local de origem de sua família. “Ele é de Minas Gerais e está sendo velado lá. O enterro está previsto para as 11h”, conta. De acordo com ele, a família do vigilante temporário ainda se recuperava de uma tragédia familiar quando o agente morreu. A esposa dele teria sofrido um aborto espontâneo na semana passada.

Jorimar lamentou a morte do servidor e ressaltou que situações semelhantes podem ocorrer a qualquer momento em diversos presídios do Estado. “O clima no sistema carcerário está muito tenso, muito ruim, de uma forma que eu, com 15 anos de experiência, nunca tinha visto”, destaca.

De acordo com o presidente da Aspego, faltam condições de trabalho para os vigilantes, uma situação que é notada pelos próprios detentos. “Eles percebem que são 100 presos para cada agente, então fica fácil tomar controle da situação”, diz.

Conforme Jorimar, uma greve pode ser deflagrada na próxima semana caso o governo não ofereça soluções, como o aumento de efetivo. Uma assembleia da categoria está prevista para acontecer nesta sexta (15).

Ao Mais Goiás, a SSPAP ressaltou que a questão da superlotação atinge presídios em todo o País e que, em Goiás, a situação deve ser minimizada em breve com as inaugurações dos novos presídios em Anápolis, Águas Lindas, Novo Gama, Formosa e Planaltina. A secretaria frisou também que 577 agentes prisionais foram nomeados em agosto deste ano.