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Real vive descolamento cambial recorde

Análise de pesquisador do FGV Ibre mostra que descasamento da moeda no governo Bolsonaro supera o visto até na eleição do presidente Lula em 2002

Pressão por gastos põe em risco teto, dívida pública, inflação e juro baixo
Inflação para famílias com renda baixa sobe para 0,82% em março (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A moeda brasileira entrou em uma trajetória de desalinhamento em relação aos fundamentos econômicos de longo prazo do país que supera aquilo que ocorreu durante a crise eleitoral de 2002 e representa um recorde desde a adoção do atual regime de câmbio livre, em 1999.

De acordo com cálculos do pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) Livio Ribeiro, esse descasamento representa uma depreciação de quase 40%. Ou seja, para um câmbio médio em torno de R$ 5,40, o valor sugerido pelos fundamentos estaria próximo de R$ 3,90. Em 2002, esse desalinhamento foi de cerca de 30%.

“Os modelos sugerem claramente que a gente está em um momento de ‘overshooting’ cambial, ou seja, a moeda depreciou mais do que seria sugerido pelos fundamentos de longo prazo”, afirmou Ribeiro ao apresentar os dados durante reunião de conjuntura com cerca de 30 pesquisadores da instituição.