Químico sintético de embalagens tem relação com morte precoce nos EUA, diz estudo

Produto está presente em recipientes de armazenamento de alimentos, xampu, maquiagem, perfume e até brinquedos infantis

Ftalato é um plástico presente em muitos componentes
Químico sintético em embalagens tem relação com morte precoce nos EUA, diz estudo (Foto: George Becker - Pexels)

Químico sintético chamado ftalatos, encontrados em centenas de produtos de consumo, pode contribuir com cerca de 91 mil a 107 mil mortes prematuras por ano nos Estados Unidos, aponta estudo. Esse produto pode ser localizado em recipientes de armazenamento de alimentos, xampus, maquiagens, perfumes e até em brinquedos infantis.

O levantamento aponta que pessoas com níveis mais altos de ftalatos têm um risco maior de morte por qualquer causa, especialmente cardiovasculares, de acordo com o estudo publicado na revista Environmental Pollution, na última terça-feira (12).

O estudo também apontou que essas mortes podem custar cerca de  até US$ 47 bilhões a cada ano em perda de produtividade econômica.

“Este estudo adiciona à crescente base de dados sobre o impacto dos plásticos no corpo humano e reforça a importância para reduzir ou eliminar o uso de plásticos”, disse o autor principal, Dr. Leonardo Trasande, professor de pediatria e medicina ambiental e saúde da população na NYU Langone Health, em Nova York.

Ftalatos: como o químico sintético age no corpo?

Os ftalatos são conhecidos por interferirem no mecanismo do corpo para a proteção de hormônios, conhecido como sistema endócrino. Eles também estão ligados a problemas de desenvolvimento, reprodução, cérebro, imunológico e outros, de acordo com o Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental (NIEHS, na sigla em inglês).

Além disso, pesquisas anteriores revelaram que os ftalatos contribuíram para problemas reprodutivos, como malformações genitais e testículos que não desceram em meninos e contagens de espermatozoides em níveis de testosterona mais baixos em homens adultos. Químico também está ligado à obesidade infantil, asma, problemas cardiovasculares e câncer.

“Esses produtos químicos têm uma ficha criminal”, disse Trasande, que também dirige o Centro de Investigação de Riscos Ambientais da NYU Langone. “E a questão é que, quando você olha para todo o corpo de evidências, isso fornece um padrão de preocupação assombroso.”

Pesquisa

O novo estudo mediu a concentração de ftalatos na urina em mais de 5 mil adultos, com idades entre 55 a 64 anos, e comparou esses níveis com o risco de morte precoce em uma média de 10 anos, disse Trasande.

Os pesquisadores controlaram doenças cardíacas preexistentes, diabetes, câncer e outras condições comuns, hábitos alimentares inadequados, atividade física e massa corporal e outros níveis de outros desreguladores hormonais conhecidos, como o bisfenol A ou BPA.

“No entanto, nunca vou dizer que este é um estudo definitivo”, disse Trasande à CNN. “É um instante no tempo e só pode mostrar uma associação.”

“Mas já sabemos que os ftalatos mexem com o hormônio sexual masculino, a testosterona, que é um preditor de doenças cardiovasculares em adultos. E já sabemos que essas exposições podem contribuir para várias condições associadas à mortalidade, como obesidade e diabetes”, disse Trasande.

Veja dicas de como evitar exposição aos ftalatos

  • Use loções e produtos de limpeza sem cheiro;
  • Use vidro, aço inoxidável, cerâmica ou madeira para segurar e armazenar alimentos;
  • Compre frutas e vegetais frescos ou congelados em vez de versões enlatadas e processadas;
  • Incentive a lavagem frequente das mãos para remover produtos químicos;
  • Evite purificadores de ar e todos os plásticos rotulados como nº 3, nº 6 e nº 7

*Com informações da CNN Brasil