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Queiroga afirma diálogo com a China para evitar falta de insumos no Butantan

O IFA, princípio ativo pra produção da vacina, sofreu atraso na entrega e a produção do imunizante está parada

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante declaração após reunião com o presidente Jair Bolsonaro, os presidentes do Senado Federal, Câmara dos Deputados e Supremo Tribunal Federal, ministros e governadores. (Foto: Marcelo Queiroga/Agência Brasil)
Promessa de acelerar vacinação contra Covid esbarra em insumos, Anvisa e contratos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira (7) que o governo brasileiro dialoga com a China para resolver impasse sobre insumos do Instituto Butantan e, assim, restabelecer a produção da vacina CoronaVac. O envase do imunizante está temporariamente parado no instituto depois do atraso dos insumos —o chamado IFA— que deveriam chegar da China nesta semana.

“Tivemos com o embaixador [da China no Brasil] Yang Wanming, e ele tem sido muito sensível a essa questão. Vamos continuar dialogando para buscar superação dessa questão do IFA. E fazer com que o Butantan, que é patrimônio de cada um dos brasileiros, possa ter a sua capacidade de produção restabelecida e ter as doses suficientes para vacinar a nossa população”, afirmou Queiroga, em entrevista a jornalistas, na saída de jantar com empresários e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em São Paulo.

O Butantan alega que o atraso faz parte da cadeia produtiva da vacina e não deverá atrapalhar o cronograma de entrega das doses ao PNI (Plano Nacional de Vacinação).

Atualmente, a CoronaVac é produzida no Butantan com insumos da chinesa Sinovac e ainda depende do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) importado para manter sua produção. Por meio de nota, o instituto confirmou que todas as doses com a matéria-prima já recebida já foram envasadas, mas diz que a produção não parou porque as doses “estão no processo de inspeção de qualidade”. Os insumos, que deveriam chegar nesta semana, atrasaram para a semana que vem.

“Neste momento, cerca de 2,5 milhões de vacinas encontram-se em processo de inspeção de controle de qualidade — parte integrante do processo produtivo — para serem entregues na semana que vem ao PNI”, diz o órgão.

A última vez que o processo de produção da CoronaVac foi interrompido foi em 17 de janeiro, no início da vacinação no Brasil, exatamente por falta de insumos. A atividade foi retomada no início de fevereiro e, desde então, as remessas têm sido periódicas — com recebimento, inclusive, do governador João Doria (PSDB), no Aeroporto de Guarulhos.

Dimas Covas minimiza atraso

O Butantan diz que a parada no processo de envase não é um problema, mas, até o recebimento do novo IFA, não haverá produção de novas doses.

“A chegada estava prevista para essa semana, houve atraso e estamos aguardando para a próxima semana”, disse Dimas Covas, diretor do instituto, em coletiva na tarde desta quarta (7). “Estamos trabalhando a todo vapor para o que cronograma seja mantido e até adiantado. Nosso pedido é que haja aumento de volume e até adiantar entregas.”

Segundo Covas, o atraso se tratou de burocracia. “A produção do IFA [na China] está pronta. Estamos aguardando o desembaraço de documentação, não temos nenhum motivo para pensar diferente disso”, declarou, na coletiva.