Thaynara Cunha
Do Mais Goiás

Queda de energia causa prejuízo a laticínio, em Ipameri

Produtores da região estão adquirindo geradores de energia porque já ficaram até 72 horas sem o fornecimento e tiveram prejuízos de mais de 4 mil litros de leite

Produtores de leite do município de Ipameri, localizada a 199 km de Goiânia, registram prejuízos por falta de fornecimento de energia elétrica. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado de Goiás (Sindileite), produtores de leite da região ficaram sem energia por três dias. Um dos produtores chegou a perder mais de 4 mil litros de leite, além de ter aparelhos elétricos queimados por voltagem fora do padrão. Em 2017, os goianos ficaram em média 19,2 vezes sem energia.

De acordo com o diretor executivo do Sindileite, Alfredo Luiz Correia, falta de energia é algo recorrente nesta região e quem mais tem sofrido com este transtorno é o produtor,  porque há  a necessidade de manter o leite refrigerado numa temperatura a menos de 7 graus.

“O pior problema é o fato de o produtor ser obrigado a comprar gerador e se tivesse uma energia de qualidade isso não seria necessário. Nós temos mais de 6 mil produtores. E quem dá conta de comprar um gerador? Só os grandes produtores. E eles não são a maioria”, explica.

Segundo Alfredo, as quedas de energia são problemas pontuais e recorrentes nesta região e quem não tem condições de comprar um gerador acaba perdendo o leite produzido.

“Nossos produtores trabalham com um dos produtos mais fáceis de perecer existentes no mercado. O atendimento da empresa para resolver a falta de energia não se dá na mesma rapidez com que o leite perde”, explica.

Para Alfredo, não é apenas o produtor que fica prejudicado com essa situação, mas o estado também. “A economia do estado e o meio ambiente também são afetados. Se torna um grande problema ecológico. O que fazer desse leite?”, questiona.

De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no ano de 2016, antes da privatização da Celg, os goianos ficaram em média 29,55h sem energia elétrica e o limite estabelecido pela Aneel era de 14,94h. Em 2017, depois de ser vendida por R$ 2,187 bilhões para a Enel, esse indicador sobe para 32,29h, enquanto a meta da Aneel diminui para 14,01h.

A Enel Distribuição Goiás disse, em nota, estar realizando mudanças para modernizar a rede de fornecimento de energia elétrica e por isso este número subiu em 2017. “Sobre as recentes variações no DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) da distribuidora, a empresa esclarece que o indicador vem sendo impactado pelos desligamentos programados na rede para realizar os investimentos necessários”, disse a concessionária.

De acordo com a empresa, foram investidos R$ 830 milhões em tecnologia para modernizar a infraestrutura da rede goiana. O investimento corresponde a mais que o dobro dos R$ 300 milhões investido pela antiga Celg nos anos anteriores à privatização. A Enel espera investir até o ano de 2020 cerca de R$ 2 bilhões em construções de novas linhas de distribuição e subestações.

A concessionária afirmou ter equipes realizando podas preventivas em árvores por todo o estado com o intuito de evitar o aumento do índice de descontinuidade de energia durante o período de chuvas.

A Enel afirmou ter realizado em 2017 mais de 1.600 novas conexões rurais e espera realizar, até o fim de 2018 outras 2 mil. Em áreas urbanas, 48 mil novos clientes foram alcançados em 2017 e em 2018 a empresa espera realizar pelo menos outras 68 mil conexões.

Mais Tecnologia

A Enel disse ter como um de seus pilares o Projeto Telecontrole. O Telecontrole consiste na automação da rede elétrica de média tensão, por meio da instalação de equipamentos telecomandados e de um sistema de gestão remota, permitindo identificar e isolar, com mais agilidade e à distância, falhas ocorridas no fornecimento de energia. Só em 2018, mil dispositivos vão ser instalados no estado e a expectativa é que este número chegue a 7 mil até 2020.

Essa tecnologia já foi aplicada pela empresa em países como a Itália e a Romênia. No Rio de Janeiro esta tecnologia já foi aplicada pela empresa e apresentou melhorias significativas nos indicadores de qualidade da Enel Distribuição Rio. A empresa, que fornece energia a 66 municípios no Rio, reduziu 9h do DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) nos últimos dois anos.

*Thaynara da Cunha é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo

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