CRIME

Quadrilha que roubava farmácias recebia apoio de funcionária e soldado do Exército

Criminosos recebiam informações de funcionária, e faziam o segundo assalto ao estabelecimento, quando foram flagrados


Jairo Menezes
Do Mais Goiás | Em: 21/05/2018 às 16:47:03

(Reprodução: Sistema de Monitoramento)
(Reprodução: Sistema de Monitoramento)

Quatro pessoas foram indiciadas por um duplo roubo na manhã de hoje. Entre os indiciados está uma funcionária da farmácia que foi alvo dos criminosos e o namorado dela, um soldado do Exército. O fato aconteceu na Avenida Central do Jardim Nova Esperança, em uma farmácia, na manhã desta segunda-feira, 21.

Seria mais um dia tranquilo, na drogaria. A previsão era de o dia iniciar normal. Com as primeiras entregas sendo feitas, o entregador seria deslocado posteriormente para uma agência bancária, para levar um malote com algumas quantias que estavam guardados em um cofre, instalado em um cômodo aos fundos. Mas esses planos não aconteceram como o previsto.

Os fatos que seguem esta reportagem constam no Registro de Atendimento Integrado (RAI), documento aberto pela Polícia Militar, com investigação da Polícia Civil e apuração de laudos periciais pela Polícia Técnico Científica, e descrevem a forma de ação de uma quadrilha que se comunicava por um aplicativo de mensagens instantâneas, mas que por problemas de comunicação caíram.

‘PRIMEIRO BOTE’
Eram 8h28. O entregador se preparava para ir fazer uma entrega antes de retornar para a farmácia e pegar o malote, no meio da manhã, para ir fazer o serviço de banco. Dois homens o abordam, pegam o que ele está nas mãos, mas percebem que o objeto levado pelo entregador não se passava de um pacote de fraldas.

O bote já estava dado errado, e para disfarçar, os criminosos ainda retornam para levar algo do entregador, que respondeu estar sem carteira e sem celular — os bandidos nem questionam novamente, e seguem para o destino ignorado.

Polícia acionada, uma viatura da 27ª Companhia Independente de Policiamento Militar (CIPM) foi até a farmácia, e um oficial fazia as buscas por imagens e entrevistas aos pessoais para repassar as informações dos ladrões a todas as outras viaturas da Capital. O policial estava justamente na sala reservada, onde fica o sistema de monitoramento.

‘SEGUNDO BOTE’
O policial só não esperava que iria ouvir, de onde estava, com uma viatura estacionada na porta do estabelecimento, a voz de assalto. Os criminosos estacionaram um veículo For Ka, de placas clonadas, na rua lateral da farmácia, e seguiram a pé, até um deles entrar com arma em punho e dizer palavras de ordem para que o dinheiro fosse entregue — o dinheiro do cofre, que ainda não havia sido levado para o banco.

Foi nesse momento que os funcionários foram se encaminhando para a parte dos fundos, e o policial agiu. Deu voz de prisão, e o bandido se assustou e correu. Na fuga, entre as gôndolas, deu um tiro para o alto, que pegou no forro do telhado: ninguém saiu ferido.

O policial não deixou barato, e com o colega de farda, seguiu para a rua, onde os bandidos fugiam em direção ao carro. E meteu bala! Foram mais de sete tiros disparados, e o criminoso, armado com um revólver calibre 22, também atirou de volta.

Na fuga os bandidos entraram em uma casa, mas acabaram se rendendo depois. Um deles já estava atingido por um tiro. Socorrido por Bombeiros, foi identificado que o atingido, Warlesson Lima da Silva, não corria risco de morte: o tiro foi no braço. No celular dele os policiais checaram e viram conversas com a funcionária da drogaria — Giovanna Keisimber da Silva Velasco, que passava as orientações para a ação do bando.

Na drogaria, a funcionária negou a participação, mas no celular dela os policiais conseguiram identificar as mesmas conversas com Warlesson, e além disso, diálogos sobre a ação do bando com um soldado do exército, namorado dela, Kadimiel D. Lucas Vieira Neto, este, inicialmente, está indiciado como coparticipe.

Além dos dois, David dos Santos Souza foi indiciado e preso em flagrante. Ambos respondem por associação para o crime, roubo qualificado, e Warlesson, por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.