Estelionato

Quadrilha é presa aplicando golpe “Bença Tia” em Aparecida de Goiânia

No momento da prisão, o coordenador da quadrilha tentou subornar os policiais oferecendo R$ 100 mil à equipe, que também o prendeu por corrupção ativa


Thaynara Cunha
Do Mais Goiás | Em: 12/06/2019 às 12:08:27

Quadrilha usava contas de laranjas para receber os valores provenientes dos golpes (Foto: Reprodução)
Quadrilha usava contas de laranjas para receber os valores provenientes dos golpes (Foto: Reprodução)

Quatro homens e uma mulher foram presos em flagrante, na tarde desta terça-feira (11), suspeitos de aplicar o famoso golpe “Bença Tia“, no Setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia. Conforme apontam informações da Polícia Civil (PC), as ações da quadrilha eram coordenadas por Hugo Leonardo Martins Ferreira, que usava cartões de laranjas para sacar e repassar os valores para os membros da quadrilha. O suspeito também simulava compras em sua própria distribuidora de bebidas para não levantar suspeitas sobre o golpe.

Ainda segundo a corporação, também foram presos Marcelo de Souza Barbosa, Daniele da Paixão Trindade, Mhatteus Fellipe Neves da Silva e Rafael Lemes Batista. Todos foram autuados por estelionato e associação criminosa. A ex-companheira de Hugo, Daniele da Paixão Trindade, foi presa dentro de uma agência bancária quando se preparava para fazer depósitos. Com a mulher a polícia apreendeu R$ 12,6 mil em dinheiro.

Segundo o responsável pelas investigações, delegado Álvares Lins, logo após a prisão de Daniele, a polícia localizou e prendeu Hugo dentro da mencionada distribuidora de bebidas. O suspeito havia acabado de simular uma compra usando cartões de terceiros cujas contas tinham recebido valores provenientes dos golpes. Com o suspeito foram apreendidos oito cartões bancários de diversas pessoas e R$ 3 mil em dinheiro. No momento da prisão, Hugo ainda tentou subornar os policiais oferecendo  R$ 100 mil à equipe, que o prendeu também por corrupção ativa.

Os demais integrantes da quadrilha foram presos com cartões de contas de terceiros que teriam sido obtidos para serem usadas como laranjas. Através dessas contas os suspeitos recebiam os valores das vítimas e, em seguida, transferiam o dinheiro para as contas dos envolvidos no golpe ou realizavam simulações de compras no estabelecimento de Hugo.

O Golpe

Conforme Lins, o golpe denominado como “Bença Tia” era comandado de dentro da Penitenciária Odenir Guimarães por um detento que não teve a identidade divulgada. Ele era responsável por repassar às vítimas as contas dos laranjas que receberiam os valores do golpe.

“Os criminosos ligavam para a vítima se passando por familiares que precisavam de dinheiro por estarem na estrada com o carro quebrado. A vítima acredita ser um parente e pede a conta para depositar o dinheiro. Aí, o detento informava ao Hugo que os valores estavam na conta e, em seguida, a quadrilha sacava ou simulava compras com os cartões. Hugo era responsável por captar o pessoal que disponibilizaria a conta bancaria para receber os depósitos”, explica.

O delegado explica ainda que foram apreendidos vários cartões de pessoas desconhecidas. Essas pessoas ainda serão ouvidas durante o inquérito. O próximo passo, segundo Lins, será ouvir os proprietários das contas e pedir a quebra de sigilo bancário das contas dos laranjas e dos participantes do golpe. Todos os envolvidos tinham antecedentes criminais, sendo que Hugo tinha passagens por tráfico de drogas e roubo.

“As pessoas que foram vítimas desse golpe devem ir à uma delegacia e registrar ocorrência policial pois só assim a PC vai conseguir responsabilizar os autores”, alerta.

A polícia também apreendeu dois veículos que, possivelmente, foram adquiridos com valores provenientes dos golpes. Os suspeitos foram encaminhados para o 1º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia, onde ficam à disposição da Justiça. O Grupo de Repressão a Narcóticos (Genarc) ainda está em diligências para identificar outros possíveis integrantes da quadrilha e localizar as vítimas dos estelionatos. Caso sejam condenados, os suspeitos podem cumprir penas que variam de cinco a dez anos de reclusão.

*Thaynara da Cunha é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Hugo Oliveira