MANIFESTAÇÃO

Protesto em Goiânia condena assassinato de negro no Carrefour

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado até a morte por um segurança do supermercado Carrefour, em Porto Alegre


Larissa Feitosa
Do Mais Goiás | Em: 21/11/2020 às 16:32:03

Loja do Carrefour, em Goiânia (Foto: Jucimar de Sousa / Mais Goiás)
Loja do Carrefour, em Goiânia (Foto: Jucimar de Sousa / Mais Goiás)

Um grupo de manifestantes se reuniu, na manhã deste sábado (21), em frente ao Carrefour da Avenida T-9, em Goiânia, em protesto contra o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro que foi espancado até a morte em um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre, na última quinta-feira (19).

Segundo pessoas que compareceram ao ato, a loja trancou os portões ao perceber a chegada dos manifestantes, só permitindo a saída de clientes que já estavam no estabelecimento. Uma equipe da Polícia Militar estava posicionada dentro do supermercado para impedir a entrada dos manifestantes.

Manifestantes erguem cartazes em faixa de pedestres, em Goiânia (Foto: Jucimar de Sousa / Mais Goiás)

A organização foi feita pelas redes sociais e reuniu cerca de 70 pessoas, entre elas professores, estudantes e adeptos do movimento Antifacista. Alguns tentaram entrar pelos portões e foram impedidos pelos seguranças da rede.

“Goiânia ainda é uma cidade muito conservadora e de certo modo muito racista. Basta olharmos para as pessoas eleitas nestas eleições. É fundamental que pensemos em políticas públicas para combater o racismo estrutural e recreativo que mata tantas pessoas. Uma sociedade Antirracista avança no nível de Humanidade”, defendeu uma das organizadoras do protesto, a professora Manu Jacob.

Manifestante em frente ao Carrefour, em Goiânia (Foto: Jucimar de Sousa / Mais Goiás)

O protesto se dispersou por volta das 13h40 da tarde, sem nenhum registro de violência. O supermercado ficou cerca de 2 horas fechado.

Manifestações pelo país

Vidro de shopping onde fica Carrefour foi atingido por manifestantes nesta sexta-feira (20) em SP (Foto: Divulgação)

Outras manifestações foram realizadas pelo país contra o assassinato de João Alberto e também pela vida de pessoas negras. Em São Paulo, aconteceu a 17ª Marcha do Dia da Consciência Negra, nesta sexta-feira (20), em que uma loja do Carrefour teve seus produtos quebrados e princípio de incêndio, que foi controlado pelos próprios funcionários da empresa.

Criticados por outras pessoas, os manifestantes foram alvejados com ovos e garrafas, jogados de prédios residenciais.

Na opinião do ativista goiano do movimento negro, Rafael Wollice, a discussão sobre manifestações e atos de vandalismo acabam fugindo do real problema. “É uma forma de fugir do real problema, que é o racismo. Enquanto no Brasil as pessoas continuarem pensando que antirracismo é uma hashtag, o genocídio do povo negro e todas as desigualdades raciais vão continuar aí escancaradas”, diz Rafael.

“Infelizmente, João Alberto não foi o primeiro, e por mais que esperemos por mudança, não será o último. Pelo menos não enquanto a discussão em pauta for as manifestações, e não o racismo em si”, afirma o ativista.

O crime

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, teria discutido com a caixa do supermercado Carrefour e foi conduzido pelo segurança até o estacionamento, no andar inferior. Um cliente, policial militar temporário, acompanhou o deslocamento, que acabou no espancamento de Freitas. O segurança e o PM temporário foram presos, suspeitos de homicídio doloso.

Após o caso vir à tona, o Carrefour decidiu romper o contrato com a empresa de segurança e fechará a loja em Porto Alegre. Em nota, o mercado afirmou que “adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso”.