ARTIGO CIENTÍFICO

Pronto-socorro do Hospital do Coração registra queda de 57% na procura

Entrada de casos de doença respiratória aumentou, mas casos de dengue, por exemplo, caíram mais de 90%


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 18/07/2020 às 11:10:14

Cardiologista Thiago Veiga Jardim | Foto: Arquivo Pessoal
Cardiologista Thiago Veiga Jardim | Foto: Arquivo Pessoal

Não deixem de procurar os prontos-socorros, se necessário. Este é o alerta que faz o médico cardiologista Thiago Veiga Jardim. Ele, que é coordenador do pronto-socorro do Hospital do Coração, em Goiânia, e professor da Faculdade de Medicina da UFG, fez um artigo para a revista da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arquivos Brasileiros de Cardiologia, que verifica uma queda de 57% neste tipo de procura.

“Fizemos um levantamento dos atendimentos no pronto-socorro do Hospital do Coração, comparando os meses de 15 de março a 15 de maio de 2019 com o mesmo período deste ano, e observamos uma mudança muito grande no comportamento”, expõe Thiago. Segundo o artigo, durante os dois meses de 2019, o número total de pacientes atendidos no pronto-socorro foi de 2.934. Já em 2020, este caiu para 1.380.

“Houve uma mudança no perfil, com aumento na procura por aqueles que estão com síndrome viral respiratória, ou seja, sintomas da Covid-19, mas redução em todas as outras.” Tabela do texto indica que as síndromes virais respiratórias foram de 21 para 203 nos períodos comparados. Outros aumentos foram registrados em: licenças médicas (de 146 para 177); testes de laboratório (de 311 para 612); e entradas na UTI (81 para 110).

O restante, contudo, apresentou queda. A entrada por casos de dengue, então, caiu de 250 para 18 nos dois meses analisados. Por doença cardiovascular, a redução foi de 474 para 235 e por infecção intestinal, de 160 para 22.

Tabela completa em inglês (Foto: Reprodução)

Motivação

Segundo Thiago, no começo da pandemia do novo coronavírus tiveram campanhas para tentar reduzir o fluxo de pacientes nos prontos-socorros e que só procurassem esses locais em caso de falta de ar e febre persistente. “E isso fez com que as pessoas deixasse de ir por outros motivos – um fenômeno mundial, não só nosso.”

O médico, porém, relata que as outras doenças não cessaram. “Houve aumento de 400% de mortes súbitas em casa, em Nova York”, cita. “Essas geralmente tem relação com o coração”, adverte.

Desta forma, o artigo reforça que as pessoas não devem deixar de procurar os prontos-socorros por outros doenças. Esse é o nosso alerta.” O artigo já foi aceito e deve ser publicado em breve. A revista é a mais importante da América Latina, do segmento.