Fabricio Moretti
Do Mais Goiás

Professores do Basileu França denunciam atraso nos salários desde novembro

Profissionais também não receberam décimo terceiro e depósito do FGTS. Organização Social diz que atraso é devido a "repasse do governo"

Professores de todas as modalidades do Instituto Tecnológico do Estado de Goiás (Itego) Basileu França reivindicam o pagamento dos salários atrasados desde o mês de novembro de 2018, além dos direitos trabalhistas. Os profissionais relatam que o décimo terceiro salário também não foi pago e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não está sendo depositado.

De acordo com Gabriel Coelho, professor no Curso Superior de Produção Cênica, “o Estado já fala em readequar o contrato com o Centro de Gestão em Educação Continuada (Cegecon), OS responsável pela escola, mas não nos dá nenhuma posição sobre isso, nem sobre quando fará os pagamentos. Muitos professores não voltarão a trabalhar enquanto não for tudo pago”.

Gabriel foi um dos professores demitidos em novembro de 2018. À época, diz ter sido informado que sua demissão foi “sem motivos”. Sobre a situação, afirma que todos os profissionais foram reintegrados devido a uma ação do Ministério Público do Trabalho (MPT). “Foi determinado um ajuste de conduta, pois nossas demissões se caracterizavam como discriminatória”, afirma.

O professor diz que uma colega preferiu não voltar a lecionar no Basileu, “pois sofreu muito assédio moral durante a greve e não se sentiu à vontade para trabalhar subordinada à mesma direção e coordenações”, declara.

Cássia Fernandes, outra professora demitida na época, preferiu não participar das manifestações desde então. “O MPT precisou abrir um processo contra a Cegecon, para voltarmos a trabalhar. O MPT já havia recebido uma série de denúncias referentes aos salários atrasados”, esclarece.

De acordo com a professora, no dia 02 de janeiro a Cegecon encaminhou um documento paralisando as atividades do Basileu França, declarando não ter mais condições de operar por estarem sem repasse. “Hoje a escola não está funcionando por determinação da própria OS.”, conclui Cássia.

Confira um trecho do documento:

(Foto: Reprodução nota/ CEGECON – Centro de Gestão em Educação Continuada)

(Foto: Reprodução nota/ CEGECON – Centro de Gestão em Educação Continuada)

Reunião

De acordo com Larissa de Paula, da Coordenação de Circo da escola, no último dia 22 de janeiro, professores do Basileu se reuniram com Adriano da Rocha Lima, da secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SEDI).

“Nas palavras do secretário, o Estado está em uma grave crise financeira, mas irá fazer os repasses às OSs. Porém, disse não saber ainda como isso será feito. Possivelmente haverá parcelamento desse repasse. Ele afirmou que daqui em diante não haverá mais atraso nos pagamentos”, esclareceu Larissa.

A professora conta que na reunião com Adriano, o secretário deixou claro que o governo “está chamando as OSs para reuniões e propondo um realinhamento para gerar economicidade, e não haverá mais demissões”. Ficou agendada para a próxima quinta-feira (31), uma nova reunião entre o secretário e os professores.

Nataly Brum, professora de canto, lamenta toda a situação. “Muitos de nós estão buscando alternativas. Vários colegas venderam instrumentos ou equipamentos de som, para pagar as contas. Infelizmente fomos negligentes com os atrasos recorrentes e estamos nessa situação. Foram várias promessas não cumpridas, uma total falta de respeito com os professores”, pontua.

Alunos durante manifestação em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira em 2018 (Foto: Reprodução)

Alunos durante manifestação em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira em 2018 (Foto: Reprodução)

Resposta

Em nota, a direção do Cegecon, confirma o atraso nos pagamentos. “Devido ao atraso no repasse dos valores devidos pelo governo, os salários dos colaboradores de todos os Itegos que ela administra estão atrasados nos meses de novembro, dezembro e 13º salário. A OS afirma que janeiro será pago até 5 de fevereiro.

Na publicação, a Cegecon “se solidariza, ciente das dificuldades vividas pelos colaboradores dos institutos, mas destaca que, sendo uma instituição sem fins lucrativos contratada pelo Estado, espera dele a resposta necessária para sanar a difícil situação o mais rápido possível”.