Saúde

Professora goiana diz que teve trombose após usar pílula anticoncepcional

Um vídeo publicado pela professora em seu perfil no Facebook já teve mais de 126 mil compartilhamentos




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A professora universitária Carla Simone Castro, 41 anos, sofreu uma trombose venosa cerebral que, segundo diagnóstico médico, foi causada pelo uso de uma pílula anticoncepcional. Após 20 dias sem poder levantar da cama, ela resolveu postar, no dia 9 deste mês, um vídeo nas redes sociais para contar aos amigos sobre seu estado de saúde e o que havia acontecido.

Moradora de Goiânia, a professora começou a tomar o anticoncepcional Yasmin em janeiro deste ano para combater cólicas provocadas pelos miomas uterinos. Carla garante que, antes de usar as pílulas, fez todos os exames clínicos para verificar se não havia nenhum problema.

A professora se mudou em agosto para Brasília, após ser aprovada em um concurso para lecionar no Instituto Federal de Brasília (IFB). Com dores de cabeça e congestão nasal, ela procurou um otorrinolaringologista em 8 de agosto, que acreditou ser uma crise alérgica. No outro dia, Carla acordou com a visão duplicada e procurou outros médicos. Ela relata que foi avaliada por três neurologistas, fez duas tomografias e foi diagnosticada com crise de ansiedade.

A mãe de Carla a buscou em Brasília e a trouxe para Goiânia, onde a professora fez uma ressonância magnética e se consultou com o neurologista Gustavo Campos. O exame apontou que a paciente tinha trombose nas três principais veias do cérebro. A professora, que já havia perdido o movimento da perna direita e estava com a visão comprometida, sofreu uma convulsão no consultório médico e foi internada.

Veja o depoimento da professora publicado no Facebook:

 

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Carla já recebeu alta médica, mas continua com o tratamento. Para ela, tudo indica que o uso de anticoncepcional motivou a trombose.

MORTES NO CANADÁ

No ano passado, pelo menos 23 mulheres no Canadá que tomam regularmente pílulas anticoncepcionais morreram, a maioria pela formação de coágulos no sangue, segundo documentos do Ministério da Saúde do país.

Médicos e farmacêuticos que são obrigados a notificar as reações adversas aos medicamentos suspeitam que as pílulas Yaz e Yasmin, do laboratório alemão Bayer, foram as causadoras das mortes.

Centenas de mulheres podem ter sofrido os efeitos nocivos desses anticoncepcionais, disse o advogado que apresentou recurso coletivo, citado pela CBC. Milhares de ações foram apresentadas contra a Bayer, em particular nos Estados Unidos.

A notícia da morte de cerca de 23 mulheres canadenses foi veiculada pela  rede de televisão CBC e depois em outros meios.

FABRICANTE

A Bayer HealthCare, laboratório responsável pelo Yasmin, informou, em nota, que a Comissão Européia concluiu, em janeiro deste ano, que a “possibilidade de tromboembolismo venoso, associada ao uso de contraceptivos hormonais combinados é baixa”. A companhia afirma que o contraceptivo é “aprovado por todos os grandes órgãos regulatórios mundiais, incluindo a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]” e que “mantém seu posicionamento de transparência na investigação minuciosa de relatos de efeitos adversos possivelmente relacionados a este produto”.