CORONAVÍRUS

Procuram-se costureiras: Flávia quer produzir máscaras para uma cidade inteira

Flávia Mendonça, de Abadia de Goiás, pede apoio do Mais Goiás para reunir voluntárias e arrecadar tecido, elástico e sacos pláticos

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Alexandre Bittencourt
Do Mais Goiás | Em: 09/04/2020 às 19:11:34

Empresária Flávia Mendonça: luta para produzir pelo menos 20 mil máscaras a toque de caixa (Foto: Arquivo pessoal)
Empresária Flávia Mendonça: luta para produzir pelo menos 20 mil máscaras a toque de caixa (Foto: Arquivo pessoal)

A história da empresária Flávia Mendonça com a máquina de costura é cheia de idas e voltas. Quando ela era adolescente, a mãe proibiu-lhe de aprender a bordar com a avó e a bisavó porque queria que ela se encontrasse uma profissão que remunerasse melhor. Mas o coronavírus deu-lhe ocasião para enfim aprender a manusear uma máquina. Ela está à frente de um exército de costureiras que se dedica a fazer máscaras de proteção individual. Flávia pediu ajuda ao Mais Goiás para criar um time de voluntárias que tope produzir máscaras de pano a toque de caixa. 

A empresária mora em Abadia de Goiás, município localizado a 31,7 km de Goiânia. “A minha meta inicial é fazer 20 mil máscaras, uma para cada pessoa da minha cidade. Depois vamos entregar para Goiânia e cidades vizinhas. Pedidos não faltam”, garante ela. Aos 29 anos, Flávia ainda não sabe costurar com destreza na máquina que ganhou em 2019 da bisavó. Entrega no máximo 15 máscaras por dia, enquanto uma costureira profissional faz até 200. Seis a ajudam no momento. Ela precisa de mais, muito mais (para falar com ela, o perfil no Instagram é @flavinhacm90). 

Renata Luciano de Sousa, uma das voluntárias que uniram esforços com Flávia 

Por conta própria, a empresária bateu na porta de todos os estabelecimentos comerciais que ainda estão abertos na sua cidade. Amealhou R$ 2 mil. Com três quartos deste dinheiro, comprou 500 metros de tecido TNT, 400 metros de elástico e alguns poucos saquinhos de plástico. Ela precisa de pelo menos mais 3,3 mil metros de elástico e 500 metros de TNT, além de saquinhos e carretéis de linha. Em seus cálculos, para atingir a meta inicial de 20 mil máscaras, o gasto total será de R$ 10 mil (ou R$ 0,50 por cada unidade). 

Abadia ainda não registrou casos confirmados ou suspeitos de Covid-19. “Meu medo é que, se o vírus chegar, a contaminação comunitária seja muito rápida. Porque aqui as pessoas acham que estão de férias, andando na rua como se nada estivesse acontecendo”, diz Flávia, que enfrenta dificuldade para manter a bisavó de 89 anos, dona Geralda, em casa. “Eu tive que mentir para ela que a polícia está abordando idosos na rua e tirando a aposentadoria deles. Felizmente ela acreditou”. 

“Meu filho caçula, o Henrique, nasceu com um probleminha no pulmão. Estremeço só de pensar nele com coronavírus. É por ele, pela minha avó, minha bisavó e por todas as pessoas de Abadia que estou fazendo isso voluntariamente. O problema congênito do Henrique pode ter sido causado pela dor que eu senti na época em que meu pai morreu e eu estava grávida. Não tenho mais estrutura para perder gente querida”, diz a empresária. 

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