Alexandre Bittencourt
Do Mais Goiás

Procissão do Fogaréu deixará de acontecer pela segunda vez em 276 anos

Celebração também foi cancelada em 2020 em razão da pandemia

Pelo segundo ano consecutivo, Procissão do Fogaréu é suspensa (Foto: Divulgação)
Pelo segundo ano consecutivo, Procissão do Fogaréu é suspensa (Foto: Divulgação)

Pela segunda vez em 276 anos, a belíssima cena do cortejo de tochas acesas a cortar as ruas estreitas da cidade de Goiás, na Semana Santa, não acontecerá. A primeira vez em que a tradição foi suspensa foi em 2020, e pelo mesmo motivo de agora: a pandemia. 

A procissão é marcada pela participação de fiéis segurando tochas e usando indumentária especial. É considerada o ponto mais emocionante da Semana Santa na cidade goiana por conta de sua beleza plástica, ao representar a busca e captura de Jesus em meio às luzes da cidade apagadas. Apenas as tochas levadas por fiéis iluminam as ruas.

“Não tem como não se emocionar, mas, como está [o cenário da pandemia], é impossível receber público para a procissão”, disse Rodrigo Santana, secretário do Turismo e Desenvolvimento Econômico da cidade. A saída foi fazer uma transmissão pelas redes sociais da prefeitura.

A programação na cidade terá atividades religiosas até a Páscoa, no domingo, com a procissão da Ressurreição, às 19h. Ela e as demais celebrações também serão exibidas nas redes sociais com imagens de anos anteriores.

Apesar das restrições impostas pela pandemia, a cidade não está fechada. A prefeitura impôs limites de 50% de ocupação em todos os locais e implantou barreira sanitária na entrada da cidade. A partir de 22h30, entra em vigor o “toque de consciência”, paralisando todas as atividades.

A procura por hotéis, porém, está baixa. Há estabelecimentos com apenas 10% de reservas. A capacidade hoteleira local é de 1.600 leitos —com o limite, cai para 800. Historicamente, a cidade de 24 mil habitantes recebe 50 mil turistas na Semana Santa, a maioria retornando aos seus municípios de origem no mesmo dia. Neste ano, ela completa 20 anos do reconhecimento pela Unesco como patrimônio cultural mundial.

Bispo da diocese de Goiás, dom Jeová Elias afirmou em vídeo que as pessoas não devem deixar de celebrar a Páscoa. “Nunca nos demos por mortos. A esperança não deve ser apagada do nosso coração.”

Há locais que pretendiam receber fiéis, como igrejas de Ouro Preto, em Minas Gerais, mas a passagem do estado para a fase roxa impede a presença de público nas celebrações.

Todas as missas serão virtuais e transmitidas por meio das redes sociais da prefeitura ou de paróquias.

A intenção era receber a presença de poucos fiéis nas igrejas, que seriam selecionados por meio de convites distribuídos por coordenadores das comunidades.