Execução

Presos PMs suspeitos de matar jovem e forjar confronto em Goiânia

O caso aconteceu no dia 18 de julho, no Residencial Felicidade, em Goiânia. Segundo a PC, a versão dos policiais tem “características de dissimulação”


Da Redação
Do Mais Goiás | Em: 22/08/2019 às 12:02:12

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Três soldados e um sargento das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), da Polícia Militar (PM), foram presos suspeitos de matar o jovem Thiago Renato Braga, de 20 anos, e registrar a ação como confronto. O caso aconteceu no dia 18 de julho, no Residencial Felicidade, em Goiânia.

A investigação foi realizada pela Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) e resultou nas prisões de Marcos Vinícius Martins de Lima, Mauro Roberto Ribeiro Júnior, Paulo César da Costa Santos e Carlúcio Evangelista Caiado, nos últimos dias 16 e 19 de agosto.

No relatório do pedido de prisão preventiva consta que a versão dos policiais tem “características de dissimulação”. Isso porque afirmaram que estavam em patrulhamento quando viram dois homens em atitude suspeita em uma motocicleta, que não obedeceram a ordem de parada.

Conforme os militares, durante a perseguição, Thiago, que estava na garupa da moto, saltou do veículo e começou a atirar contra a viatura. No revide, três dos militares teriam acertado o estudante. Os PMs alegam que encontraram uma mochila com drogas, duas balanças de precisão e um revólver calibre 38, que teria sido utilizada contra a equipe, próximo à vítima.

Contradição

Testemunhas, no entanto, contradisseram o relato dos militares. A versão dada por uma das delas é de que Thiago foi abordado pela equipe, colocado na viatura e executado com dois tiros em uma rua de terra.

Um dos rapazes ouvidos no inquérito alega que foi parado pela equipe antes da abordagem que vitimou o estudante. Na ocasião, a testemunha estava com dois outros amigos no Jardim Guanabara, quando foram levados para um lote baldio. No local, conforme o relato, foram agredidos e obrigados a confessar supostos crimes, localização de armas e possíveis comparsas.

Ainda de acordo com a testemunha, um dos policiais afirmou que portava armas para “trocar tiros” com o trio caso não falasse o nome de algum traficante da região. Foi aí que um dos homens informou o nome de Thiago para cessar as agressões e porque “não gostava do nome citado”.

Os três abordados foram colocados na viatura para localizar o estudante, que foi encontrado em uma praça do bairro, onde jogaria futebol. Depois de encontrarem Thiago, os três rapazes foram liberados pelos policiais.

Abordagem

Thiago estava na praça com outros três colegas. Um deles prestou depoimento e afirmou que eles haviam dado uma pausa no jogo para fumar maconha. Durante a abordagem, os policiais perguntaram o nome de ambos e quando Thiago se pronunciou, os militares teriam dito: ‘é esse, Stive”, segundo relatos da testemunha.

Em seguida, dois dos jovens foram soltos. Momentos depois, o terceiro foi liberado, restando somente Thiago. Conforme outra testemunha, o jovem foi agredido com socos e levado para uma rua de terra. Os policiais afirmaram que iriam soltar o estudante, mas que ele teria fugido após pular o muro.

Um familiar da vítima que estava no local seguiu a viatura e avisou aos pais de Thiago sobre a situação. O jovem foi levado para a estrada, lugar em que os militares disseram ter havido a troca de tiros.

No relatório, a Polícia Civil afirma que não se trata “de um simples erro, mas de uma provável e repugnante execução”. Os militares são investigados por fraude processual e denunciação caluniosa.

Ao Mais Goiás, a PC afirmou que a investigação ocorre sob sigilo e, por este motivo, não irá se pronunciar. O inquérito deve ser encerrado nos próximos dias e encaminhado ao Judiciário. A reportagem entrou em contato com a PM e aguarda retorno.

 

*Com informações do Jornal O Popular