Pacto de silêncio

Presos 9 PMs suspeitos de torturar, matar e ocultar cadáver de rapaz em Goiânia

Operação do MP cumpriu outros 11 mandados de busca e apreensão na manhã desta quarta (7). Os agentes estavam afastados do serviço de rua desde a inclusão de seus nomes – ainda não revelados – na investigação

Cidades

Hugo Oliveira
Do Mais Goiás | Em: 07/11/2018 às 11:40:40

Segundo a esposa, Pedro Henrique Rodrigues foi visto pela última vez ao ser colocado desacordado em uma viatura, em Goiânia (Foto: reprodução/G1)
Segundo a esposa, Pedro Henrique Rodrigues foi visto pela última vez ao ser colocado desacordado em uma viatura, em Goiânia (Foto: reprodução/G1)

Nove policiais militares foram detidos por suposto envolvimento na suposta tortura, morte e posterior ocultação de cadáver de Pedro Henrique Rodrigues, 22, na madrugada do dia 15 de agosto deste ano, em Goiânia. Entre os investigados, que tiveram prisão temporária decretada estão sete soldados e dois tenentes da Polícia Militar da capital, os quais foram conduzidos ao Presídio Militar. Outros 11 mandados, de busca e apreensão, foram cumpridos também em relação aos agentes públicos.

As prisões ocorreram na manhã desta quarta-feira (7) e foram conduzidas pelo Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Também há colaboração da Corregedoria da PM.

As autoridades do MP, que tem mantido o assunto sob rigoroso sigilo, ainda não definiram se irão compartilhar detalhes da operação, batizada de Pacto de Silêncio. A expectativa, entretanto, é de que ocorra uma coletiva de imprensa ainda na tarde desta quarta.

Desaparecimento

Inicialmente tratado como caso de desaparecimento, um inquérito foi aberto no último 28 de agosto na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic). No entanto, de acordo com o delegado titular, Valdemir Pereira da Silva, posteriormente, surgiram elementos que indicaram a ocorrência de um homicídio. “Não era mais da nossa alçada e, por isso, o Ministério Público, que também tinha recebido denúncia da família e estava com investigações avançadas, assumiu o serviço”.

As investigações na Deic eram encabeçadas pela delegada Karla Guimarães, responsável por liderar na unidade um grupo para apurar o desaparecimento de pessoas. Como o titular, ela afirmou que não irá comentar ou dar detalhes do caso, uma vez que este foi assumido pelo MP.

À época, agosto, a PM informou ter aberto inquérito policial militar para apurar o assunto e que os envolvidos foram afastados do serviço de rua. Em nota emitida nesta quarta, a corporação reforça ter participado das prisões do cumprimento dos mandados de busca e apreensão. “Informamos ainda, que após a devida condução ao MPGO, [envolvidos] foram encaminhados ao presídio Militar ficando a disposição do poder Judiciário”.

Entenda

O caso foi tratado como desaparecimento porque assim foi registrado pela família da vítima na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), no último 28 de agosto, 13 dias depois do sumiço. De acordo com a esposa de Pedro, Islla Tamires Novaes de Melo, PMs invadiram a residência do casal às 2h daquela madrugada, em busca do marido, que já havia sido preso por suposto envolvimento com tráfico de drogas.

Na oportunidade, agentes afirmaram que ele teria roubado um carro dois dias antes e estavam à procura da suposta arma utilizada no crime. Todavia, nada foi encontrado. “A gente estava dormindo e quando abri a porta do quarto, os policiais já estavam aqui dentro. Viram que não tinha nada, implorei, mas eles pediram que a gente se retirasse. No quintal, nos levaram para sermos encostados na parede”, revelou Islla à imprensa na época.

(Foto: reprodução/MP)

Depois disso, a mulher destaca que os policiais pegaram um balde de roupa suja, encheram com água deram início a uma sessão de tortura que durou cerca de 30 minutos. “Enfiavam a cabeça dele dentro [do balde] e davam choque nele. Também subiram em cima das pernas dele e pulavam sobre sua cabeça”, recordou.

Pedro foi visto pela última vez ao ser colocado, desacordado, dentro de uma viatura. Na ocasião, policiais afirmaram à esposa que o homem seria levado para receber atendimento médico. O Mais Goiás tentou contato com Islla, mas as ligações não foram completadas.

*Com informações do G1 Goiás