Cidades

Preso advogado suspeito de ser mentor do incêndio no Fórum de Itapaci

A motivação, segundo a PC, seria destruir os processos criminais que tramitam na Comarca em seu desfavor. Outros três homens participaram do crime que ocorreu em agosto de 2017


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 22/05/2019 às 10:36:57

Fogo atingiu materiais de informática, arquivos e alguns processos (Foto: Corpo de Bombeiros)
Fogo atingiu materiais de informática, arquivos e alguns processos (Foto: Corpo de Bombeiros)

A Polícia Civil prendeu temporariamente, na última segunda-feira (20), o advogado Enes Borges de Mendonça suspeito de ser o mentor do incêndio ao Fórum de Itapaci, cidade da região central de Goiás a 235 km de Goiânia. O crime aconteceu em agosto de 2017, quando quatro indivíduos armados entraram no local, renderam o segurança e atearam fogo no cartório. A motivação do autor, segundo a PC, seria destruir os processos criminais que tramitam na Comarca em seu desfavor.

De acordo com o delegado responsável, Matheus Melo, o advogado era tratado como suspeito desde o início das investigações. Quase dois anos após o crime, a suspeita foi confirmada. No último dia 7 de maio, um dos coautores e familiar de Enes procurou a PC e confessou tudo em detalhes. Na ocasião, afirmou que o advogado foi o mentor e também um dos executores da ação.

Aos policiais, o homem, que não teve a identidade revelada, contou ainda que outros dois familiares participaram dos crimes. Tratam-se de Paulo Henrique Braga Maranhão, genro de Enes, preso temporariamente no dia 13 de maio; e Juatan Alves Borges, ainda foragido.

Segundo o delegado, o advogado tomou conhecimento das declarações um dia após o depoimento e fugiu para Anápolis. Na última segunda-feira (20), porém, ele se apresentou na Delegacia de Homicídios (DIH), de Goiânia, e foi preso temporariamente. No local, alegou ter problemas de saúde, o que inviabilizou a continuidade do interrogatório.

O advogado possui diversas passagens por  tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo, coação no curso do processo, supressão de documento, desacato e ameaça. Conforme relato do familiar e coautor do incêndio, Enes tentava destruir processos criminais dos quais é alvo na comarca. “As provas técnicas produzidas durante o decorrer do inquérito são totalmente compatíveis com a versão apresentada pelo familiar do preso”, disse o delegado.

A PC ainda não pediu a prisão do coautor que está colaborando com as investigações, o que, segundo Matheus, deve ocorrer após a conclusão do inquérito policial. Os quatro irão responder pelos crimes de incêndio, inutilização de documentos, roubo e tentativa de homicídio, já que subtraíram a arma de fogo do vigia e o deixaram amarrado próximo as labaredas, assumindo o risco da morte da vítima.

O Mais Goiás aguarda posicionamento da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB/GO) sobre o assunto.

Relembre

O incêndio que atingiu o Fórum de Itapaci ocorreu no dia 8 de agosto de 2017. De acordo com o Corpo de Bombeiros, na época, o fogo teve procedência criminosa e destruiu duas salas do prédio que tinham equipamentos de informática, documentos e alguns processos.

Segundo informações da corporação, os suspeitos dificultaram a chegada a Polícia Militar (PM), colocando correntes no portão de saída das viaturas da PM e stinger para furar os pneus. Os criminosos ainda renderam o vigia do Fórum, que não ficou ferido. Três viaturas foram utilizadas para conter as chamas e a estrutura do prédio não ficou abalada com o incêndio.