Operação Tractamus

Presidente da Câmara de Araguapaz se apresenta à polícia e é liberado

O político prestou depoimento e foi liberado, pois se recupera de uma cirurgia na coluna. Ele é investigado pelos crimes de corrupção, associação criminosa e falsidade ideológica

Política

Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 19/09/2019 às 10:35:42

Célio Ferreira Nunes (PTC), presidente da Câmara de vereadores de Araguapaz, se apresentou à Polícia nesta quarta-feira (18) e foi liberado pois se recupera de uma cirurgia. (Foto: Reprodução)
Célio Ferreira Nunes (PTC), presidente da Câmara de vereadores de Araguapaz, se apresentou à Polícia nesta quarta-feira (18) e foi liberado pois se recupera de uma cirurgia. (Foto: Reprodução)

O presidente da Câmara de vereadores de Araguapaz, Célio Ferreira Nunes (PTC), se apresentou à Polícia na sede da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), em Goiânia, na noite desta quarta-feira (18). O político prestou depoimento e foi liberado pois se recupera de uma cirurgia na coluna. Ele é investigado por corrupção, associação criminosa e falsidade ideológica. Outras sete pessoas permanecem presas pelos mesmos crimes.

Segundo cartório da Polícia Civil (PC), com a apresentação, subiu de sete para oito o número de mandados de prisão temporária cumpridos contra figuras políticas do município localizado na região Noroeste do Estado. Além das prisões, a corporação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão na casa dos investigados e na Câmara da cidade.

Nesta terça-feira (17), a operação denominada Tractamus resultou na prisão dos vereadores Pedro da Silva Souza (DEM), Frederico Antônio Monteiro (PHS); Egnaldo José de Carvalho (PSDB); Derci Francisco Pereira (PSDB) e Fábio Divino Cardoso (DEM). Também foi detido o secretário da Prefeitura, Paulo Sérgio Ferreira Nunes.Câmara está totalmente parada depois da prisão de cinco dos nove vereadores. 

O ex-prefeito de Araguapaz, José Segundo Rezende Júnior, que denunciou esquema de corrupção de vereadores no município, também é investigado e se apresentou à corporação na última terça (17). Com exceção de Célio, todos os outros investigados continuam presos.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Clebyo Januário, o ex-prefeito afirma que estava sendo extorquido pelos vereadores para que o parlamento não cassasse o mandato da esposa dele, a ex-prefeita da cidade Márcia Bernadino de Souza Rezende, que foi afastada do cargo em agosto.

Investigação

As investigações apontaram que José Segundo e os vereadores se reuniam para solicitação de vantagem indevida e promessa de vantagem. As reuniões aconteciam em Araguapaz e Goiânia e cada vereador recebia em torno de R$ 60 mil. Negociação chegou a R$ 500 mil, conforme a PC.

De acordo com Cleybio Januário, até agora não houve comprovação efetiva da participação da ex-prefeita Márcia Bernardino no caso. “As negociações eram feitas pelo esposo em nome dela, mas estamos investigando se ela tinha conhecimento”.

O processo de impeachment contra Márcia Bernardino foi aprovado pela Câmara no último dia 19 de agosto. Ela foi julgada por superfaturamento e desvio de verba. Assumiu a prefeitura de Araguapaz Gabriel do Espanhol (DEM), vice dela.

Áudios revelam crimes

Áudios divulgados pela Polícia Civil (PC) na manhã desta quarta-feira (18) mostram a negociação de propina feita entre vereadores e o ex-prefeito de Araguapaz, José Segundo Rezende Júnior.Os arquivos também mostram os investigados discutindo de que maneira esconderiam o dinheiro da propina, bem como sobre possíveis ações das autoridades policiais.

Em um dos áudios divulgados à imprensa, José Segundo e os vereadores Frederico, Célio, Pedro e Egnaldo afirmam que os valores não podem ser depositados em conta para não levantarem suspeitas. Um deles chega a propor que o grupo guarde o dinheiro embaixo da cama.