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Prefeitura de Goiás investiga se sangue que caiu no Rio Vermelho pertence ao frigorífico da JBS

Unidade do abatedouro fica em Mozarlândia e, de acordo com o secretário, é a mais próxima da cidade. O adjunto da pasta também cobra alguma posição da empresa


Joao Paulo Alexandre

Do Mais Goiás | Em: 27/02/2018 às 12:09:28


Mancha vermelha assustou moradores da Cidade de Goiás (Foto: Auriovane D'Ávila)
Mancha vermelha assustou moradores da Cidade de Goiás (Foto: Auriovane D'Ávila)

O sangue que se espalhou no Rio Vermelho, na cidade de Goiás, na última sexta-feira (23), pode pertencer ao frigorífico da JBS, segundo o supervisor de Meio Ambiente do muncípio, Pedro Vieira. A carga estava em um caminhão que tombou após uma curva e despejou 10 mil litros do líquido no rio e formou uma espuma branca, que preocupou moradores da cidade.

De acordo com o secretário, é aguardado uma posição oficial do frigorífico, que fica em Mozarlândia. A carga era transportada sem uma nota fiscal, documento exigido e que é necessário para saber mais sobre o produto. “Não sabemos se aquilo é realmente sangue. Queremos entender se possui algum tipo de metal pesado misturado junto ao produto ou se a carga era de algum componente químico que seja nocivo para as pessoas e para o meio ambiente”, destaca.

Uma amostra da água foi retirada e levada para a Vigilância Sanitária da cidade, mas o resultado não atendeu as demandas que, de acordo com o supervisor, é de extrema importância para saber sobre algum dano ambiental. “A amostra foi utilizada para a detectar presença de microrganismos na água. Essa alteração ocorre até com um grande volume de chuva que carrega todo tipo de impureza das ruas da cidade. Outra amostra será retirada, dentro de 48 horas, e será encaminhada para um laboratório privado”, aponta.

Mancha não está mais no percurso urbano da cidade (Foto: Leitor/WhattsApp)

O diretor afirma que a velocidade que o sangue percorre pelo rio é de 1 km/h. A mancha não é mais vista na área urbana da cidade e segue rio abaixo. Porém, uma posição oficial do frigorífico ainda é cobrada para saber se é necessário tomar cuidados diante a situação e até para evitar novos acidentes.

“Isso nos ajudará a saber que medida vamos tomar de curto prazo. Se as pessoas ribeirinhas devem ter cuidado, se danos ambientais graves surgirão ao longo do tempo. O local em que ocorreu acidente já é um ponto recorrente de acidente deste tipo e faz acesso direto ao percusso do rio. Ou seja, autoridades devem ser notificadas para estudar uma possível mudança na rodovia já que na ocorrência de novos acidentes”. observa o supervisor.

Em nota, a JBS afirmou que a empresa não é a responsável pela carga. “A companhia reitera que todas as suas vendas são feitas de acordo com os critérios legais, o que inclui também a emissão de nota fiscal”, diz o texto.

Acidente

Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu na última sexta-feira (23), por volta das 4h da manhã. O caminhão tombou e caiu de um despenhadeiro de 15 metros de altura, da GO-164, a sete quilômetros da Cidade de Goiás. Com o impacto, o tanque se rompeu e os litros do insumo escorreram para o Rio Vermelho, que ficou tingido de vermelho,

De acordo com Diogo Araújo, membro da corporação, o motorista foi retirado do caminhão desacordado e foi encaminhado para o Hospital São Pedro de Alcântara no município. De lá, o homem, identificado como Ueliton Lima dos Santos, foi conduzido para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, onde passou por uma bateria de exames.

Situação do caminhão após o acidente (Foto: Reprodução)