Inelegíveis

Prefeito e vice de Mimoso de Goiás são condenados pela Justiça Eleitoral

Genivaldo Gonçalves dos Reis (PR) e Manoel Ubaldino de Freitas (PTB) estão inelegíveis por oito anos


Amanda Sales
Do Mais Goiás | Em: 09/12/2017 às 08:53:46

Ficou provado que prefeito e vice-prefeito ofereciam vantagens em troca de votos. (Foto: Euclides Oliveira)
Ficou provado que prefeito e vice-prefeito ofereciam vantagens em troca de votos. (Foto: Euclides Oliveira)

O prefeito de Mimoso de Goiás, cidade a 267 km de Goiânia, Genivaldo Gonçalves dos Reis (PR) e seu vice Manoel Ubaldino de Freitas (PTB) foram condenados pela Justiça Eleitoral. Nas investigações do órgão, há provas do envolvimento dos políticos em captação ilícita de sufrágio, captação e gastos ilícitos de recursos, além de abuso de poder econômico. Foi declarada a inelegibilidade de ambos para as eleições que se realizarem nos próximos oito anos.

A decisão determinou ainda a cassação do diploma do prefeito e vice-prefeito, sem prejuízo de multa no valor de 50 mil Unidades Fiscais de Referência (Ufirs). A decisão é da juíza Luciana Vidal Pellegrino Kredens, que acolheu pedidos feitos pela promotora Ariane Patrícia Gonçalves em ação de investigação judicial eleitoral proposta em dezembro de 2016.

De acordo com a promotora, foi constatado que Genivaldo dos Reis, durante as eleições para prefeito de Mimoso de Goiás, utilizou recursos que não tramitaram por sua conta de campanha, especialmente recursos de José Fuscaldi, conhecido como Tatico, pelo intermédio de Santina Gonçalves de Sousa, pessoa estreitamente ligada a ele. Ambos também são réus na ação.

As investigações comprovaram que houve entrega de vantagens pessoais para diversos eleitores para que votassem em Genivaldo. Eram oferecidos pagamento em dinheiro e em combustível, inclusive um dia antes das eleições, em troca de votos. Em setembro de 2016, o Ministério Público Eleitoral (MPE) da 131ª Zona instaurou procedimento de investigação criminal para averiguar possível corrupção eleitoral no pleito de Padre Bernardo, na qual Santina também estava incluída.

Durante a investigação criminal, foi realizada uma interceptação das comunicações telefônicas, que captaram conversas entre Santina, Tatico e Genivaldo falando expressamente sobre o pagamento massivo de eleitores por toda a zona rural e urbana de Mimoso de Goiás, bem como pagamento “por fora”’ de equipamentos para comício.

Nas conversas, o MPE constatou, ainda, como Santina usava o dinheiro de José Fuscaldi na campanha de Genivaldo e prestava contas ao dono do dinheiro.

Na sentença, a juíza reconheceu que os atos de compra de votos foram direcionados à parcela expressiva do eleitorado. Assim, além de Genivaldo e Manoel, Santina e José Fuscaldi, foram condenados por captação ilícita de sufrágio, captação e gasto ilícitos de recursos e abuso de poder econômico, com a declaração de inelegibilidade de todos os requeridos.

O Mais Goiás tentou entrar em contato com a Prefeitura de Mimoso de Goiás mas não obteve resposta.